Eles enxergam os novos negócios com um processo de seleção natural, levando-se em conta as expansões anunciadas pela Eldorado Brasil e Fibria

Fábrica da Eldorado Brasil, em Três Lagoas
Fábrica da Eldorado Brasil, em Três Lagoas

Negando que grande quantidade de florestas na região de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, ocasionou a diminuição da criação de gado propondo uma mudança cultural econômica negativa, há quem diga que as plantações de eucalipto foram um fenômeno benéfico para pecuaristas e proprietários de grandes áreas.

“A mudança da cultura econômica sim, mas não de forma negativa, pois anteriormente o propulsor da região era somente a produção de gado expansivo. Não havia outra possibilidade de manejo, senão esta cultura. Então quem possuía uma grande quantidade de área a utilizava para o gado de corte, mas agora é possível plantar eucalipto com retorno certo, seja para a celulose, seja para o setor moveleiro”, diz o pecuarista, administrador e presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Marco Garcia.

Atualmente, a migração de cultura é vista como uma seleção natural. Quem não havia optado por investir em tecnologias de manejo, como criação de gado em sistema rotativo, cuidados com pastagem, ração – entre outros mecanismos – viu na plantação de eucalipto, por meio de arrendamento ou parceria, uma forma de capitação de renda rápida, segura e sem trabalho.

“Foi uma seleção natural, uma questão de aptidão na pecuária. Para alguns, o gado não apresentava tanta rentabilidade, quanto o que foi apresentado pelas empresas de celulose que buscavam propriedades próximas a fábrica para maior desempenho logístico e lucratividade. Além da segurança dos contratos de 15 anos (duas colheitas), recebendo valores maiores do que receberiam na criação de gado, reajustados ano a ano, conforme a alíquota atual e prazos estabelecidos em contrato”, explicou o presidente.

Arrendamento ou parceria

As formas de atuação são parceria ou arrendamento com empresas como Eldorado Brasil, do grupo JBS; e Fibria, do grupo Votorantim.

Na parceria, o proprietário pode obter mais lucratividade, entretanto, maior risco. Neste sistema o pagamento é feito de acordo com o crescimento da floresta. “As empresas já possuem os cálculos de quanto cada floresta deve crescer, a margem de erro é muito pequena, então, normalmente os repasses são feitos coerentes com o previsto, mas há sim possibilidades de risco, como situações climáticas ou até queimadas. Maior risco, no entanto, maior possibilidade de grande lucratividade”, diz Garcia.

Outra é o arrendamento. Neste caso, os pagamentos podem ser acordados mensalmente, de seis em seis meses ou anuais. O contrato é o que define. Neste caso o proprietário não tem risco, nem trabalho, consegue rentabilidade pré-estabelecida e acordada proporcionalmente ao tamanho da área e localização. Todos os contratos são de 15 anos.

Fonte: Painel Florestal