Comissão de Estudos do wood frame, no âmbito da ABNT, será oficialmente instalada no dia 14 de junho

A Abimci acredita que será mais fácil oferecer mais garantias ao consumidor a partir de agora
A Abimci acredita que será mais fácil oferecer mais garantias ao consumidor a partir de agora

O setor de madeira processada mecanicamente comemora uma importante conquista na área da construção civil. No dia 14 de junho será oficialmente instalada a Comissão de Estudos da ABNT para desenvolver a norma técnica do sistema construtivo wood frame. O evento será realizado durante a reunião da Comissão da Casa Inteligente, na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba (PR).

Como parte interessada no avanço desse sistema construtivo no país, a Abimci tem sido uma das principais protagonistas nesse processo juntamente com o Sinduscon-PR, a Fiep e outras instituições envolvidas na Casa Inteligente. A Associação foi responsável pela organização documental, as atualizações técnicas dentro do CB-31 (Comitê Brasileiro de Madeira) e do escopo de diversas comissões que o compõem, trabalho este que garantiu o subsídio necessário para a estruturação técnica desse sistema construtivo.

Para o presidente da Abimci, José Carlos Januário, o envolvimento do setor construtivo e consumidor, representado pelo Sinduscon-PR, mostra que o segmento madeireiro está disposto a oferecer alternativas sustentáveis ao mercado e que está preparado para fazer parte dessa mudança. “Com o desenvolvimento de uma norma técnica, será possível oferecer garantias ao consumidor”, afirma Januário.

Na avaliação do vice-presidente de área técnica do Sinduscon-PR, Euclésio Manoel Finatti, todo esse trabalho irá contribuir para deixar a construção civil mais industrializada. Ele lembra que, tradicionalmente, o segmento da construção não tem uma indústria, mas, sim, uma grande montadora. O gasto de energia, segundo ele, é “enorme, porque a construtora precisa montar uma fábrica em cada obra”.

Com o sistema wood frame acontece exatamente o contrário: desenvolve-se a estrutura de forma rápida dentro do ambiente fabril. Nesse cenário, não importa a condição do clima; tanto na chuva como no sol, a produção não para. Também é possível desenvolver um controle eficiente e levar para a obra apenas um guindaste e alguns profissionais para fazer a montagem das partes. “Estamos mudando o conceito e nos tornando, de fato, uma indústria. No canteiro de obra, fazemos pura e simplesmente a montagem. Assim, reduzimos os custos, ajudamos o meio ambiente e trazemos mais agilidade e rapidez para as obras”, explica Finatti.

Próximos desafios

A partir da instalação da Comissão de Estudos, o setor pretende trabalhar ações que permitam combater outro obstáculo: o erro de conceito, principalmente de algumas esferas federais, de que casas de madeira são construções destinadas para um público de baixa renda. “Esse talvez seja o maior desafio que teremos ao longo de nossa jornada para a consolidação desse sistema no Brasil. Os exemplos aplicados em alguns dos principais países do mundo com construções em madeira, em larga escala e de diferentes conceitos, nos provam exatamente o contrário, pois esse é um sistema que traz soluções inovadoras e sustentáveis, economicamente viáveis, e com as garantias necessárias exigidas pelo mercado”, afirma o superintendente da Abimci, Paulo Pupo.

Somado a isso, outra ação que deve caminhar em paralelo às questões da norma e da mudança cultural é o reconhecimento do método construtivo pelas instituições governamentais para que seja inserido dentro de linhas de financiamento oficiais. “Também é importante a criação de políticas públicas promovendo a interface entre governo, instituições e setor produtivo, que visem estimular o uso em larga escala do wood frame no Brasil”, completa.

Casas mais eficientes

Apelos positivos não faltam para o uso do wood frame. Considerado um material versátil, fácil de trabalhar, durável e renovável, a madeira – principal material empregado nesse método construtivo – possui eficiente isolamento acústico e térmico, é resistente ao fogo e sustentável.

“As florestas fixam carbono, são renováveis em curto prazo, os impactos ambientais na sua extração são infinitamente menores quando comparado com outras matérias-primas e possuem um baixo consumo de energia para a sua obtenção”, explica Pupo.

As entidades envolvidas no setor garantem que a boa produtividade por hectare plantado e o potencial para expansão dessas áreas plantadas são fatores que contribuem para a perenidade das atividades e fornecimento de matéria-prima para o sistema construtivo. “Aliado a esses cenários, por ser uma construção seca, consegue-se uma escala de produção muito interessante, com a relação custo x benefício competitivo”, afirma o superintendente.

Saiba mais

A Comissão Casa Inteligente, criada em 2009 dentro da Fiep, reúne as principais entidades, empresas e pessoas interessadas e envolvidas com as ações em torno do sistema construtivo wood frame, otimizando a equalização de conceitos e reunindo as contribuições de todos para o progresso das ações necessárias.

Uma das principais realizações concretas da comissão foi a participação e apoio no processo de desenvolvimento e de aprovação, no final do ano de 2013, do primeiro DATEC (Documento de Avaliação Técnica dentro Sistema Construtivo) SINAT005 junto ao Ministério das Cidades, conquistado por empresa situada no Paraná, e já com várias unidades sendo construídas pelo país.

Programação

O lançamento oficial da Comissão de Estudos no dia 14 de junho será durante a reunião da Comissão Casa Inteligente, no Campus da Indústria na Fiep, em Curitiba (PR), a partir das 14h. A programação inclui, além da instalação da Comissão de Estudos, discussões de temas já relativos á estruturação da norma técnica. Para encerrar as atividades do dia, às 19h30 será realizada, na sede do Sinduscon – PR (Rua da Glória, 116 – Centro Cívico – Curitiba) palestra sobre Normas Regulamentadoras com o Coordenador do Comitê Brasileiro da Construção Civil (ABNT/CB-002), Salvador Benevides.

Fonte: Painel Florestal – Abimci