Após um ano recebendo orientações do Minas leite, o cenário econômico da propriedade mudou expressivamente registrando, em 2011, lucro líquido de R$ 45 mil com a produção de 15 litros de leite/dia

O produtor rural Carlos Alberto Lima, proprietário de um pequeno sítio de 16 hectares na cidade de Boa Esperança (MG), alcançava uma média de R$ 8 mil de lucro líquido por ano, com a produção diária de 12 litros de leite. Em 2010, aderiu ao Programa Minas Leite, coordenado em conjunto pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa) e pela vinculada Emater-MG, que responde pela execução do programa. Após um ano recebendo orientações do Minas leite, o cenário econômico da propriedade mudou expressivamente registrando, em 2011, lucro líquido de R$ 45 mil com a produção de 15 litros de leite/dia.

Este será um dos cases de sucesso que serão apresentados durante o Encontro Minas Leite, na programação da SuperAgro Minas 2012. Serão exibidos vídeos com os resultados alcançados pelo Programa, seguido de uma mesa de perguntas e respostas aos produtores e extensionistas da Emater–MG. O Encontro terá também diversas palestras que abordarão temas como a produção sustentável na bovinocultura, qualidade do leite e gestão técnica e financeira da atividade.

“Vamos mostrar intervenções técnicas como o manejo de pastagem com o uso de piquetes (pequenos pastos) e a utilização de cerca elétrica para o pastejo rotacionado. Além disso, vamos apresentar os benefícios proporcionados aos animais quando têm acesso ao capim de melhor qualidade, otimizando o espaço e prevenindo o contato com verminoses e parasitas”, informou o coordenador técnico Estadual de Bovinocultura da Emater-MG, Feliciano de Oliveira.

De acordo com Oliveira, o caso bem sucedido do produtor de Boa Esperança não veio por acaso. A melhor organização da propriedade, o domínio sobre os custos de produção e o conhecimento do desempenho produtivo do rebanho são fatores que contribuem para a melhoria da qualidade do leite e otimizam o aproveitamento das pastagens.

“Tudo é um complexo de fatores interligados. Mas o grande desafio é a gestão dos recursos disponíveis para tornar o sistema de produção rentável. É preciso seguir nossas orientações como, por exemplo, a forma correta de alimentação do gado. Este é o sistema crucial na bovinocultura de leite e o que mais impacta para o sucesso da atividade”, destaca.

Vacinação

O manejo sanitário também deve ser seguido de forma criteriosa, segundo o coordenador. “É preciso cuidado com a vaca gestante, com a cura do umbigo — que é porta de entrada para infecções -, e com fornecimento de colostro ao bezerro recém-nascido. Outro ponto importante é seguir com disciplina o sistema de vacinação para o controle de ectoparasitas e endoparasitas”, disse Oliveira, chamando atenção para os exames regulares de prevenção de tuberculose, brucelose e mamite. “Seguindo esses passos e tendo a devida atenção à gestão de atividades e ao controle de índices zootécnicos, o resultado não poderia ser melhor: a qualidade do leite”, garantiu.

Orientação

De acordo com a engenheira agrônoma da Emater–MG em Boa Esperança, Thatiana Abrahão, o produtor Carlos Alberto não compreendia o acompanhamento agronômico e tinha como principal objetivo mudar todo o sistema de gestão. “No início, a ideia do produtor era inseminar o gado de leite, sem preocupar-se com o aprimoramento da pastagem e com a alimentação apropriada. Os resultados só poderiam ter sido negativos, pois tudo interferia na qualidade do leite”, lembra a engenheira, que acompanha e orienta de perto todos os processos de produção de leite na fazenda.

“O sucesso da produção, após várias intervenções técnicas, só foi possível pelo controle do gerenciamento e melhoramento do gado. As pastagens e a análise do solo são a base, mas o produtor não enxergava dessa maneira, pois pensava apenas na genética dos animais. A adubação dos pastos é essencial”, reforçou.

Hoje, conforme a engenheira, o grande desafio é melhorar o balanceamento da ração. “O ideal é que o produtor faça o equilíbrio nutricional para reduzir custos, gastando 20% de sua renda com despesas alimentares. O Carlos Alberto gastava mais da metade de seus rendimentos com a compra de ração. Isso não mais acontece, pois o pasto está bom e o produtor tem a opção de comprar uma ração com 22% de proteína e não a mais cara, que contenha 27%, o que ele fazia”, explica.

1070 produtores cadastrados no Programa

Atualmente, no Sitio Limeira, há 24 fêmeas da raça holandesa, 20 bezerros e 20 novilhas, todas provindas de inseminação. “Comecei meus negócios no ano 2000 com apenas duas vacas. Fiz financiamento de R$ 6 mil com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e comprei 30 bezerras. Depois, me cadastrei no Programa Minas Leite, que me ensinou a implantar uma gestão eficaz, melhorando a qualidade do leite em 80%. Além disso, otimizou a pastagem e ainda baixou o custo com a alimentação do gado. Antes de receber as orientações da Emater-MG, trabalhava praticamente no escuro. Produzia e não sabia como alcançar lucros”, afirmou o produtor rural.

O Programa Minas Leite foi lançado em 2005 pelo Governo do Estado. Seu segmento de produção primária é apresentado como Programa de Qualificação Gerencial e Técnica dos Sistemas de Produção Pecuária Bovina do Estado de Minas Gerais, sob a coordenação conjunta da Seapa e Emater-MG. Atualmente são 1070 produtores cadastrados no Programa.

A SuperAgro Minas 2012 será realizada de 3 a 10 de junho, no complexo Parque de Exposições da Gameleira Expominas, em Belo Horizonte. A realização é do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e Sebrae-MG.

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Fonte: Agrosoft