O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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14 mar 2012

Patos de Minas recebe o primeiro AgroEx de 2012

Ministério da Agricultura leva informações estratégicas para estimular as exportações do agronegócio à região do Alto Paranaíba

Estão abertas as inscrições para o 45º Seminário do Agronegócio para Exportação (Agroex), que acontece em Patos de Minas (MG), no próximo dia 27 de março de 2012, a partir das 8h. Os interessados devem se inscrever, gratuitamente, pelo site http://mapas.agricultura.gov.br/agroeventos/sistema/apresentacaoEventos.asp?evento=2.

Esta é a primeira edição do seminário realizada em 2012. O objetivo é despertar e estimular produtores rurais, entidades ligadas ao agronegócio, empresas agrícolas, exportadores, indústrias, entre outros, a discutir as ferramentas de acesso ao mercado internacional por meio da integração contratual. A integração contratual, um dos temas tratados no AgroEx, reforça a necessidade de união do produtor rural e/ou das demais entidades ligadas ao agronegócio para exportação, com padrões de qualidade e quantidade.

Ao longo dos anos, o Cerrado Mineiro se consolida e comprova sua produtividade e diversidade de produtos agropecuários. O ex-ministro da Agricultura e produtor rural, Alysson Paulinelli, abre o encontro com informações sobre o desenvolvimento do agronegócio para exportação na região.

A programação do evento aborda temas importantes como as oportunidades e os desafios para a exportação do agronegócio brasileiro; a importância das indicações geográficas como estratégia de valorização dos produtos; as principais exigências sanitárias e fitossanitárias do mercado internacional. Também será apresentado um passo a passo da exportação do agronegócio, apresentado por especialistas do Ministério da Agricultura. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e do Ministério do Desenvolvimento Agrário também são palestrantes do AgroEx.

O seminário finaliza com exemplos práticos de exportação do agronegócio, os chamados casos de sucesso. Os casos de sucesso, da região do Alto Paranaíba, apresentam os tramites e as vantagens do processo exportador. O primeiro caso de sucesso que será apresentado é o da Associação dos Pequenos Produtores do Cerrado (APPCER), exportadora de café com certificação Fairtrade. A empresa do município está no mercado interno a alguns anos com a produção de farinha de carne, ossos e sebo. Habilitada para a exportação, a empresa alcançou os mercado do Vietnã, África do Sul e Moçambique. Já o município de Aguinaldo Alves Ribeiro inicia nesse mês a exportação de pamonha para os Estados Unidos, confirmando que todos os produtos do agronegócio têm potencial para a exportação.

O AgroEx é promovido desde 2006 nas principais cidades brasileiras pela Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mais de 14 mil pessoas já participaram desde a sua primeira edição.

Serviço:

45º Agroex – Seminário do Agronegócio para Exportação
Data: 27 de março de 2012, às 8h
Local: Sindicato Rural de Patos de Minas
Endereço: Rua: Major Gote, 1158 – Bairro Alto Caiçaras – Patos de Minas – MG

Fonte: MAPA

10 fev 2012

FAO revê demanda por alimentos até 2050

O mundo vai precisar de menos alimentos até 2050, contrariando as estimativas vigentes. A explicação está na demanda global, que crescerá a taxas bem menores do que vinha sendo previsto

O mundo vai precisar de menos alimentos até 2050, contrariando as estimativas vigentes. A explicação está na demanda global, que crescerá a taxas bem menores do que vinha sendo previsto. Foi o que afirmou ontem o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Jose Graziano da Silva, surpreendendo mais de 200 executivos do agronegócio reunidos em Genebra, Suíça.

Em 2009, a FAO havia estimado que o mundo precisaria aumentar a produção global de alimentos em 70%, tomando como base a média de produção entre 2005 e 2007, para alimentar 9,1 bilhões de pessoas em 2050 – 2 bilhões a mais do que a atual população do planeta. Nada menos que 90% desta expansão deveria vir de maior produtividade, colheitas intensivas e incremento de 10% do uso da terra.

A agência da ONU refez os mesmos cálculos, por meio de novas informações disponíveis, e concluiu que a necessidade de incrementar a produção agrícola até 2050 será por volta de 60%, tanto para uso alimentar como para a produção de biocombustíveis.

Conforme Graziano, esta conclusão reflete pelo menos três fatores. Primeiro, o crescimento populacional será menor e haverá declínio da população em vários países e regiões, incluindo Japão, China, Brasil e Europa.

Em segundo lugar, mais países e grupos populacionais deverão atingir, gradualmente, um nível de consumo de alimentos que, por sua vez, encontrarão pouco espaço para a expansão.

  

Terceiro: ao mesmo tempo em que a demanda por alimentos pode aumentar em certos países, muitos outros continuarão a ver suas populações aumentarem e permanecerão com baixas rendas ou pobreza significativa ainda por um longo período.

“O aumento da renda per capita, principalmente nos Brics [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul] é menor do que o previsto por causa da crise. Menos renda significa menos consumo”, afirmou Graziano. “Além disso, houve redução de metas de uso de biocombustíveis na Europa, o que também explica a nova projeção”, disse o brasileiro.

Mas os participantes do seminário sobre “como alimentar o mundo”, realizado em Genebra, pareceram pouco convencidos. Paul Bulcke, presidente da Nestlé, um dos patrocinadores do evento, continuou falando da necessidade de aumentar a produção mundial em até 90% para atender à demanda. O executivo insistiu que o aumento da população mundial, a escassez de água e o desperdício de alimentos ou seu uso na produção de biocombustíveis – em referência ao etanol a base de milho dos EUA – têm impactos sobre a segurança alimentar.

“O pessoal se assustou [com a nova estimativa], mas 60% de aumento na produção significa muito”, observou Graziano, notando que as terras disponíveis para agricultura são poucas e situadas basicamente na América do Sul e nas savanas africanas.

Para o diretor da FAO, os países do Mercosul continuarão a ser o celeiro do mundo e a “grande restrição ao bloco é o comércio internacional e os fertilizantes, que são caros e quase todos importados”, disse. Ele reiterou que o mundo passará por uma década de preços elevados de alimentos e a grande preocupação será a volatilidade, que não favorece o produtor nem o consumidor.

Graziano sinalizou, também, os limites da FAO na luta contra a fome: o órgão dispõe de apenas US$ 1 dólar para cada pessoa mal nutrida no mundo, e elas somam 1 bilhão atualmente. Por isso ele reforçou a defesa pela redução do desperdício de alimentos em toda a cadeia produtiva, do campo ao consumo. No Brasil, essas perdas são estimadas em 40%.

“As pessoas acham que sabem comer, mas não é verdade”, disse. Estima-se que a redução global do desperdício em 25% seria suficiente para alimentar 500 milhoes de pessoas por ano sem a necessidade de ampliar a produção.

Até março, a FAO deverá aprovará, ainda, um código de conduta para reduzir investimentos estrangeiros na aquisição de terras, mas as normas serão voluntárias e os 190 países-membros poderão adotá-las ou não.

Fonte: Valor Online
16 jan 2012

Logística e transporte – infraestrutura planejada

Apesar da crise mundial, já se configura para o Brasil um novo ciclo de desenvolvimento econômico relacionado, simultaneamente, à ampliação do mercado interno e à inserção mais profunda da moderna agricultura e da indústria no mercado internacional

Apesar da crise mundial, já se configura para o Brasil um novo ciclo de desenvolvimento econômico relacionado, simultaneamente, à ampliação do mercado interno e à inserção mais profunda da moderna agricultura e da indústria no mercado internacional. Essa nova dinâmica engloba as atividades agrícolas industrializadas (grande escala e elevada produtividade), as indústrias convencionais, mas, sobretudo, as atividades industriais e de serviços associadas a tecnologias de ponta. O suporte dos transportes, em particular, e da logística – em seu sentido mais amplo – ao novo ciclo estará vinculado essencialmente à competitividade e ao barateamento da produção nacional, tanto internamente quanto no acesso aos mercados consumidores externos.

Nesse sentido, as estratégias, o planejamento e a política de transportes não se pautarão mais pela alternância de ênfase nas rodovias ou ferrovias nem pela simples correção dos desequilíbrios na matriz dos transportes, conferindo prioridade aos modais não rodoviários. Planejamento, políticas públicas e regulação deverão tornar o sistema de transporte funcionalmente mais adequado às exigências dos setores produtivos, pela incorporação, em grande escala, das transformações ocorridas nos países desenvolvidos, especialmente no que se refere ao transporte multimodal.

É importante ter presente que, se o modal ferroviário deu suporte ao longo ciclo de desenvolvimento baseado na exportação de produtos primários (1880-1930) e o rodoviário ao igualmente longo período da consolidação de complexa economia urbano-industrial (1930-1980), competirá às cadeias logísticas multimodais dar suporte ao próximo ciclo, no longo prazo. Este será baseado nos expressivos aumentos de escalas no mercado interno, na nova inserção do Brasil na economia mundial e na maior agregação de valor e competitividade das exportações. A incorporação progressiva de grandes massas de consumidores ao mercado interno exigirá do transporte multimodal substancial redução dos custos, tanto dos alimentos e bens industriais para as populações urbanas e metropolitanas quanto dos insumos para agricultura, indústria e serviços.

É preciso atentar, ainda, para o fato de que os corredores regionalizados – com fluxos concentrados e especializados de granéis ou carga geral unitizada – serão competitivos entre si. Ou seja, cadeias logísticas de abastecimento e escoamento optarão pelos corredores e pelas alternativas de portos de embarque em função das conveniências de custo. Os usuários incorporarão, de forma crescente, a perspectiva de opção entre logísticas alternativas e mais competitivas. As regiões que melhor estruturarem seus sistemas de transporte com iniciativas e investimentos sinérgicos conseguirão atrair mais cargas e decisões de instalar empresas. Prevalecerão polos ou complexos de beneficiamento agrícola, de transformação industrial ou de processamento para exportações com componentes importados.

Abrem-se, pois, possibilidades excepcionais para a ampliação do escopo das concessões ligadas à exploração privada das infraestruturas, bem como de parcerias público-privadas. O problema, evidentemente, é o da garantia de segurança jurídica e estabilidade de regras para atração do capital privado, especialmente o de origem externa em busca de boas oportunidades que garantam retorno de longo prazo. Importante, ainda, será a postura mais firme do governo quanto à decisão de bem acolher o aporte privado de recursos. Claro que prioridades inconsistentes e mal definidas, assim como a ênfase em projetos megalômanos e de retorno duvidoso, criarão dúvidas nos investidores, postergando decisões mais urgentes para o País no curto prazo.

O planejamento, portanto, não poderá deixar de compreender o papel deste segmento infraestrutural no novo ciclo de desenvolvimento e deverá evoluir para formas mais cooperativas e complementares de participação dos níveis de governo, sociedade e iniciativa privada. A maior funcionalidade dos sistemas de logística e transporte e o seu efetivo suporte ao desenvolvimento resultarão, na verdade, das possibilidades de repartir tarefas e responsabilidades entre múltiplos agentes públicos e privados, em torno de objetivos comuns. Importará na redução de custos e melhoria dos serviços para os usuários.

A degradação de boa parte das infraestruturas nas últimas décadas criou estrangulamentos à atividade econômica e obstáculos ao crescimento. Ao mesmo tempo, o acúmulo de deficiências na gestão pública faz sentir até hoje a ausência de planejamento consistente de longo prazo, bem como de políticas mais abrangentes. Está aberta a oportunidade de ter uma visão mais contemporânea dos transportes, que incorpore as modernas concepções de logísticas de escoamento e abastecimento, fundamentadas nas vantagens competitivas dos diversos modais e consubstanciadas em facilidades para o transporte multimodal. Ou seja, superar a visão mesquinha da “obra”, para galgar o estágio mais avançado de “sistema”.

Josef Barat – Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Fecomércio, foi Diretor da Anac

Fonte: O Estado de S. Paulo
13 jan 2012

Novos mercados para combater o embargo

Brasil aposta na venda para outros países como alternativa à restrição imposta pela Rússia

Enquanto o governo realiza novos movimentos para tentar colocar um ponto final ao embargo imposto pelos russos às carnes brasileiras desde junho do ano passado, a indústria encontra alternativas para diminuir o impacto da restrição. Números divulgados nesta semana mostram que a estratégia de apostar em novos mercados deu certo. Enquanto os embarques para a Rússia caíram 19,6%, as vendas para outros mercados cresceram 14,7%.

Surpreendidos com a decisão russa, produtores de suínos viram as encomendas de países como Hong Kong e Ucrânia absorverem uma fatia significativa do que o país deixou de embarcar para os russos em 2011. Mesmo com as restrições de seu principal comprador, as vendas, que alcançaram 540 mil toneladas em 2010, caíram somente 20 mil toneladas no último ano. Segundo entidades ligadas ao setor, a prospecção de novos clientes foi vital para evitar um rombo maior. De olho nos países pouco afetados pela crise na zona do euro, produtores projetam crescimento de 15% nas exportações em 2012.

– Nosso status sanitário não deixa a desejar a país nenhum, tanto que, recentemente, missões da Coreia do Sul e do Japão aprovaram nossas plantas – observa o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, Marcelo Lopes.

Motor da economia mundial na última década, a China se tornou a maior aposta dos suinocultores. Especialistas estão convencidos de que os chineses têm potencial para desbancar a Rússia e se tornar os maiores compradores da carne suína brasileira nos próximos anos. Atualmente, três frigoríficos do país têm aval para exportar para a potência asiática. Outros cinco esperam autorização do governo chinês.

A chegada de um relatório da missão russa que visitou o Brasil em novembro e um encontro do Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, com a ministra da Rússia, no próximo dia 17, em Berlim, são duas perspectivas de solução. O secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, acredita que a entrada da Rússia na OMC, oficializada dia 1º, também pode facilitar as negociações.

Fonte: Zero Hora
13 jan 2012

O que será o Brasil em duas décadas?

O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011

O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011. No entanto, essa queda parece ser apenas um desvio de curso em uma trajetória de crescimento que é cada vez mais consensual: a possibilidade de o Brasil crescer perto de 4% ao ano, o que significaria duplicar a nossa renda per capita em pouco mais de duas décadas para valor próximo à renda de Portugal hoje (US$ 24 mil), mas ainda muito inferior ao padrão de renda atual dos EUA (US$ 48 mil) e da União Europeia (US$ 35 mil).

Dobrar a renda per capita em pouco mais de duas décadas não é ruim. A Inglaterra levou 150 anos para dobrar a sua renda per capita depois da revolução industrial. Por outro lado, países com renda per capita muito superior à do Brasil, como é o caso da Coreia do Sul (US$ 31 mil), tem hoje a perspectiva de dobrar a sua renda já elevada em menos de uma década e meia (14 anos).

É claro que o crescimento da economia brasileira ao longo das próximas duas décadas não está dado. O crescimento poderá ser maior se o Brasil retomar a agenda de reformas necessária para elevar o crescimento, ou poderá ser menor se utilizarmos a conjuntura externa (ainda) favorável para aumentarmos apenas o consumo. Não se trata de diminuir o consumo presente, mas apenas dosar a sua taxa de crescimento para aumentar o investimento público e privado; uma estratégia que, na prática, está longe de ser consensual.

Tendência é de maior especialização em commodities e petróleo, principalmente, com valorização do real

Os fatores positivos que nos trazem conforto nas próximas duas décadas são: 1) os efeitos positivos das reformas econômicas de 1986 a 2005; 2) o boom de commodities que diminuiu a restrição externa ao crescimento, e 3) o descobrimento do pré-sal, com impactos positivos na taxa de investimento e na arrecadação de impostos (em relação ao PIB).

No entanto, esse cenário positivo contrasta com uma série de desafios ainda “em aberto”. Um desses desafios é a educação. O Brasil, desde meados dos anos 90, vem aumentando o esforço de investimento em educação, mas a qualidade da educação básica ainda é ruim. Sabe-se hoje que a melhora na qualidade da educação depende de uma série de políticas (escola em horário integral, nova política de contratação e treinamento de professores, maior investimento na pré-escola, reforma e aumento da taxa de matrícula do ensino médio, etc.), mas não se sabe “ex ante” o que funcionará nem quais delas têm melhor relação custo-benefício.

O desafio do crescimento dos gastos com saúde não é menos importante. O Brasil não tem hoje recursos para cumprir com a letra da Constituição que estabelece, no seu Art. 196, que o acesso à saúde é universal e dever do Estado, e com cobertura integral (Art. 198). O que equilibra o SUS são as filas e os planos privados de saúde que cobrem 25% da população. Mesmo assim, estima-se que cerca de 30% da população brasileira não tenha acesso a serviços de saúde regularmente. A tendência é que esse quadro se agrave já que, ao longo dos próximos vinte anos, a população brasileira crescerá a uma taxa próxima a 0,9% ao ano, enquanto a população com mais de 60 anos crescerá a uma taxa de mais de 3,5% ao ano, aumentando a participação dos idosos no total da população de 10% (19,2 milhões de pessoas), em 2010, para 18,7% (40,4 milhões de pessoas), em 2030. Esse envelhecimento da população pressionará ainda mais os gastos do SUS, se não aumentarmos os gastos com prevenção nos próximos anos.

A mudança demográfica em curso no Brasil levará também ao crescimento dos gastos com previdência e menor expansão da força de trabalho. O Brasil gasta com previdência de cerca de 12% do PIB para uma razão de dependência (população com 65 anos ou mais dividida pela população em idade ativa de 15 a 64 anos) de 9,1%. Pela média mundial, nosso gasto atual com previdência seria equivalente a um país com taxa de dependência 25% a 30%. Com o envelhecimento da população, o gasto com previdência (em relação ao PIB) crescerá ainda mais e, por enquanto, não temos ideia de como lidar com esse problema.

Em relação à indústria, a tendência natural da economia brasileira é de maior especialização em commodities, principalmente na cadeia de petróleo, com valorização da moeda. Esse cenário levará à redução de participação de setores da indústria no PIB, principalmente os intensivos em mão de obra como calçados, vestuário, brinquedos e outros. Não está claro como o governo reagirá a esses movimentos estruturais, se com mais proteção ou com políticas que facilitem as mudanças estruturais. O desejável seria a redução da carga tributária da indústria, mas hoje falta espaço fiscal, o que tem levado a uma agenda negativa de maior proteção comercial.

O maior risco para o crescimento do Brasil nas próximas duas décadas é acharmos que poderemos nos acomodar com a riqueza do pré-sal e com o boom de commodities. A bonança dos recursos naturais deveria ser utilizada para avançar, ainda que de forma gradual, na agenda de reformas que será importante para definir o que será o Brasil em duas décadas, se um país de renda per capita próximo a US$ 20 mil e com forte especialização em commodities, ou outro de renda per capita mais próximo a US$ 30 mil e com uma indústria dinâmica, mas com menor participação no PIB.

Mansueto Almeida é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A opinião expressa é a do autor, não representando o ponto de vista do instituto.

Fonte: Valor Online