O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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26 fev 2013

As usinas estão parando

Nos próximos dois ou três anos, 60 das 330 usinas de açúcar e de etanol da região Centro-Sul, que respondem por 90% da cana-de-açúcar processada no País, encerrarão suas operações ou serão vendidas

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Soam como zombaria as palavras pronunciadas há seis anos pelo então presidente Lula, quando – ao comentar o memorando de cooperação para a produção de álcool combustível que ele e o presidente americano George W. Bush acabavam de assinar – afirmou que se abria, então, “um novo momento para a humanidade”. O ex-presidente dizia que Brasil e Estados Unidos, os dois países líderes na produção de biocombustíveis, estimulariam a produção global de etanol, dando assim “uma contribuição inestimável para a geração de renda, para a inclusão social e para a redução da pobreza em muitos países”. A política energética dos governos chefiados pelo PT, primeiro o de Lula e agora o de Dilma Rousseff, agravou os problemas enfrentados pelos produtores de etanol no País e levou a uma crise que, mesmo se enfrentada adequadamente, demorará para ser debelada.

Nos próximos dois ou três anos, 60 das 330 usinas de açúcar e de etanol da região Centro-Sul, que respondem por 90% da cana-de-açúcar processada no País, encerrarão suas operações ou serão vendidas, como mostrou reportagem do Estado. A previsão é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Por dificuldades financeiras, pelo menos dez usinas não processarão a safra 2013/2014.

Desde 2008, quando começou a crise mundial, não se anunciou nenhuma decisão de instalação de novas usinas. Quatro unidades devem entrar em operação até 2014, mas seus projetos estavam decididos antes do início da crise. Em compensação, 36 usinas entraram com pedido de recuperação judicial e 40 foram desativadas. Só em 2012, o setor fechou 18 mil postos de trabalho.

A dívida das empresas do setor, no final da safra 2013/2014, deverá chegar a R$ 56 bilhões, R$ 4 bilhões mais do que o total apurado no final da safra anterior e pouco abaixo do faturamento projetado para as usinas do Centro-Sul, de R$ 60 bilhões.

É um quadro totalmente diferente daquele anunciado pelo governo, segundo o qual o Brasil se tornaria referência e líder mundial na produção de etanol de cana. Para provar isso, o Brasil precisou convencer os grandes países consumidores – os da Europa e os Estados Unidos, sobretudo – de que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro era um combustível avançado e de alta produtividade. O acordo entre os governos brasileiro e americano foi um passo importante na consolidação da imagem do etanol brasileiro. O americano é produzido a partir do milho, e o uso intensivo desse cereal na produção de álcool impulsiona sua cotação internacional.

A crise mundial afetou a capacidade financeira das usinas brasileiras. Investimentos em novas unidades e ampliação das existentes foram suspensos, não foram plantadas as novas áreas necessárias, a produtividade caiu e o Brasil perdeu a condição de produtor de menor custo. A produção de cana e de álcool, que cresceu cerca de 10% ao ano entre 2004 e 2008, diminuiu no ano passado, enquanto a de veículos aumentou 3%.

O congelamento do preço do combustível no mercado interno, imposto pelo governo para conter a inflação, resultou em perdas severas para a Petrobrás e tornou o etanol ainda menos competitivo. As usinas adaptadas para isso passaram a produzir mais açúcar, cujo preço internacional é mais compensador do que o do etanol. A política do governo tornou mais grave uma crise que já era difícil para o setor, por causa de problemas financeiros e também da ocorrência de uma seca severa entre 2010 e 2011.

Ironicamente, essa crise se tornou mais grave justamente no momento em que, como o Brasil sempre reivindicou, as usinas brasileiras poderiam estar livremente abastecendo o mercado americano, pois, por problemas fiscais, o governo de Washington eliminou o subsídio ao etanol de milho e a sobretaxa sobre o etanol importado.

A correção do preço do combustível e o aumento de 20% para 25% do porcentual do etanol na gasolina tendem a melhorar a situação das usinas. Mas são medidas de curto prazo. O setor carece de segurança para investir, o que depende, entre outros fatores, de definição clara do governo sobre o papel do etanol na matriz energética, por exemplo.

Fonte: O Estado de S. Paulo
28 jun 2012

Conceito bem aplicado para usina autossustentável

Balanço de massa e de energia permite que a cana abasteça a usina, produza açúcar e álcool e ainda exporte a energia produzida

ma usina sucroenergética gerar produtos de suma importância para a indústria como o açúcar e o álcool, mas também pode exportar energia, além de se autoabastecer de água apenas utilizando sua própria matéria-prima. Isso é possível se o conceito de balanço de massa e de energia for bem aplicado, gerando mais renda para a própria usina e contribuindo de forma mais sustentável para a conservação do meio ambiente.

— Existem duas leis básicas da natureza. Uma delas é a Lei de Lavoisier, que diz que na Terra nada se cria e nada se perde, tudo se transforma. Então, o balanço de massa ou balanço material é a aplicação dessa lei. Dentro de um processo, a conta deve bater, ou seja, tudo que entra tem que ser igual a tudo que sai mais tudo que sobrou.  A esse estudo de fechamento de balanço dá-se o nome de balanço material — explica Tercio Dalla Vecchia, engenheiro e diretor da Reunion Engenharia.

Segundo ele, existe ainda outra lei do universo que diz que a energia não se cria e não se perde, mas simplesmente flui de um lado para o outro. O mesmo tipo de aplicação feita para o balanço material é feita para a energia. Com isso, é possível determinar todas as necessidades e todos os consumos de energia em cada processo individual.

A aplicação do conceito de balanço material é uma técnica bastante difícil e complexa. A aplicação desses dois princípios visa conhecer todas as correntes e seus valores, tanto de massa quanto de energia, além de otimizar todo o processo de fabricação de etanol, açúcar e energia.

O conceito aplicado na prática

— Um dos aspectos mais importantes é o tratamento que se dá ao processo de evaporação, que pode ser considerado o pulmão da usina. Esse pulmão é composto de vários “efeitos” e a otimização dos efeitos e do tipo de evaporação pode representar ganhos de 30% no consumo útil de energia do sistema — afirma Dalla Vecchia.

Outros aspectos são as diferenças entre a qualidade de energia nos diversos processos, abordando conceitos como entropia e entalpia. Com isso, ele diz ser possível otimizar o sistema completo para que no final seja possível conseguir um dos objetivos como a exportação de mais energia elétrica.

— Quanto mais se conhece o processo energético, mais é possível modificá-lo e assim obter exportação de energia, uma ótima fonte de renda para as usinas de cana-de-açúcar.  Hoje, sabemos que temos um potencial de geração e exportação de energia elétrica igual a “1,5 Itaipus”, o que seria uma contribuição do setor com características especiais. Isso porque esse é um tipo de energia verde que pode complementar efetivamente nosso sistema — conta o entrevistado.

Formas de aplicação do conceito de balanço de massa e de energia foram abordadas no Curso de Tecnologia Sucroenergética

A aplicação desses princípios de forma correta pode resultar em um aproveitamento de energia contida na cana de forma útil para a sociedade como um todo. Mas para que essas práticas sejam aplicadas em grande escala, ainda falta conhecimento.

— Muitas vezes, sem investimento nenhum, é possível conseguir ganhos significativos, apenas conhecendo melhor o sistema — garante o engenheiro.

Dentro do balanço de massa e energia, um dos itens mais importantes é o uso da água, influenciado diretamente pelo balanço material energético. De acordo com Dalla Vecchia, através de um balanço bem feito, é possível otimizar e reduzir também a captação de água ao mínimo, chegando a zero. Isso porque toda a energia e todo o açúcar vêm apenas de um produto, ou seja, da cana.

— A cana é capaz de abastecer a usina de água, de energia, produzir açúcar e álcool e ainda exportar a energia produzida. Sem dúvida, é mais uma contribuição para o meio ambiente — completa.

As formas de aplicação do conceito de balanço de massa e de energia foram abordadas no Curso de Tecnologia Sucroenergética da Reunion Engenharia, ministrado pelo entrevistado. Segundo ele, o curso é composto de diversos módulos e os interessados devem entrar em contato com a empresa através do site www.reunion.eng.br.

Fonte: Portal Dia de Campo
02 jan 2012

Brasil é líder mundial no setor de agroenergia

Substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, serve de modelo para outros países

A agroenergia é responsável por cerca de 32% da energia ofertada no Brasil, o que coloca o país na liderança mundial do setor. Quase 48% do total de energia ofertada é obtida de fontes renováveis, como a biomassa, a energia hidroelétrica e os biocombustíveis. A situação brasileira destaca-se no cenário internacional, pois 85% da energia consumida no mundo vem de fontes não-renováveis, que se encontram na natureza em quantidades limitadas e se extinguem com a utilização. Uma vez esgotadas, as reservas não podem ser regeneradas. Exemplos disso são o petróleo, o gás-natural e o carvão mineral.

O Brasil conta com características que favorecem a liderança no setor, como a grande extensão territorial e os recursos naturais que possibilitam ampliar a produção de insumos energéticos provenientes da biomassa. Os avanços na substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, servem de modelo para outras nações.

Os biocombustíveis são derivados de biomassa renovável que podem substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e gás natural em motores a combustão ou em outro tipo de geração de energia. Os dois principais biocombustíveis líquidos usados no Brasil são o etanol, extraído de cana-de-açúcar, e o biodiesel, produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais e adicionado ao diesel de petróleo em proporções variáveis. Os dois emitem menos compostos químicos poluidores do que os combustíveis fósseis no processo de combustão dos motores. Além disso, o processo de produção é mais limpo.

Vantagens

A adoção do etanol é considerada um dos principais mecanismos de combate ao aquecimento global, pois reduz as emissões de gás carbônico (CO2). Parte do CO2 emitido pelos veículos movidos a etanol é reabsorvido pelas plantações de cana-de-açúcar. Isso faz com que as emissões do CO2 sejam parcialmente compensadas. O etanol pode ser produzido a partir de diversas fontes vegetais, mas a cana-de-açúcar é a que oferece mais vantagens energéticas e econômicas.

Os automóveis que circulam no país usam dois tipos de etanol combustível: o hidratado, consumido em motores desenvolvidos para este fim, e o anidro, que é misturado à gasolina, sem prejuízo para os motores, em proporções que podem variar de 18% a 25%.

Na comparação com o diesel de petróleo, o biodiesel também tem significativas vantagens ambientais. Estudos do National Biodiesel Board (associação que representa a indústria de biodiesel nos Estados Unidos) demonstraram que a queima de biodiesel pode emitir em média 48% menos monóxido de carbono; 47% menos material particulado (que penetra nos pulmões); e 67% menos hidrocarbonetos.

O biodiesel é um combustível produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais. Dezenas de espécies vegetais presentes no Brasil podem ser usadas na produção do biodiesel, entre elas soja, dendê, girassol, babaçu, amendoim, mamona e pinhão-manso. Desde 1º de janeiro de 2010, o óleo diesel comercializado em todo o Brasil contém 5% de biodiesel. O Brasil está entre os maiores produtores e consumidores de biodiesel do mundo, com uma produção anual, em 2010, de 2,4 bilhões de litros e uma capacidade instalada, de 5,8 bilhões de litros.

Fonte original: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

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