O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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26 fev 2013

Polinização animal exige conservação ambiental

Destruição de vegetação natural reduz população de abelhas polinizadoras e interfere no processo de formação de frutos

abelhasA polinização é muito importante porque auxilia no processo de formação de frutos e da manutenção da biodiversidade. O processo, que significa a transferência de material genético de uma planta para outra, pode ser realizado pela água, vento ou animais. Entre os animais, como moscas, morcegos, mariposas e borboletas, acredita-se que 70% da polinização seja feita por abelhas.

Segundo Patrícia Drumond, pesquisadora e bióloga da Embrapa Acre, a vantagem da polinização por abelhas é a formação de frutos. E, como as abelhas existem em grande número, a chance de atingir as plantas que dependem dessa polinização é maior.

— Existem mais de 20 mil espécies de abelhas no mundo e todas elas certamente envolvidas em maior ou menor grau com esse processo de formação de frutos — afirma a pesquisadora.

Para identificar o tipo de sistema mais indicado para sua cultura, Patrícia diz que o produtor deve observar o comportamento da abelha na flor, ou seja, se ela só está descansando ou se entra na flor e sai suja com o pólen, afinal, esse é o material genético que ela transfere para outra flor, propiciando a fecundação e a formação de frutos. Para a pesquisadora, antes de tudo, o produtor deve pensar no tipo de abelha que vai utilizar.

— Existem as abelhas africanizadas, com ferrão. Ao usar essas abelhas, deve-se tomar cuidado sobre onde colocar as caixas, diferentemente das abelhas sem ferrão, conhecidas como uruçu ou jandaíra. Essas podem ficar mais próximas inclusive da casa do agricultor. Isso porque elas geralmente são abelhas mansas e de fácil trato. Existem ainda as mamangavas, que são abelhas pretas e grandes. Elas polinizam, por exemplo, o maracujá — orienta ela.

Já para a conservação dessas abelhas, por exemplo, a pesquisadora diz que vale à pena colocar troncos caídos e podres para que elas façam ninho perto da plantação de maracujá. Ainda de acordo com ela, o processo de polinização com abelhas é natural.

— O horário de visitação mais intenso costuma ser na parte da manhã. Nesse caso, deve-se tomar cuidado com o uso de produtos químicos para controle de doenças e pragas. Isso pode matar ou afugentar as abelhas — explica.

Outro cuidado importante para Patrícia é a conservação da vegetação natural. Isso porque as abelhas polinizadoras nativas vivem nesse tipo de vegetação. Então, se o produtor destrói a vegetação natural ao redor do plantio, ele acaba prejudicando a conservação das abelhas, o que pode reduzir a população e interferir no processo de formação de frutos.

Fonte: Portal Dia de Campo
31 jan 2013

Manejo de abelhas pode aumentar produção de mel em 500%

Manejo inspirado em técnicas argentinas deve alavancar produção de mel no MS e lança novas perspectivas para a apicultura em todo o País

abelhasEm média o brasileiro consome 160g de mel por ano, mas a demanda do mercado é tanta que entrepostos comerciais, como o Vovô Pedro, já foram obrigados a buscar mel até em Rondônia para atender os fornecedores. O produto e seus derivados também são muito procurados por suas propriedades cosméticas e nutricionais. A qualidade de vida não se limita ao consumidor, afirma Gustavo Bijos. “Com até 300 colmeias um apicultor pode trabalhar uma semana e folgar a outra”. Também apicultor, Adriano Adames concorda: “É uma atividade que se paga em um ou dois anos. Com esse manejo diferenciado não conheço nada que dê mais lucro!”, empolga-se.

Nem o calor abafado do cerrado brasileiro e nem as barreiras do idioma desanimaram Jirka Cabalka. Aos 57 anos de idade – 30 dos quais dedicados à criação de abelhas – o tcheco apenas arranha o inglês e não entende uma palavra de português, mas a tudo anotava e fotografava. Desde domingo (27) o apicultor está em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, visitando fazendas de produção de mel e conhecendo um projeto que promete alavancar o estado para uma posição de destaque no cenário apícola nacional.

O guia de Cabalka em sua viagem é Gustavo Bijos, presidente da FAEMS (Federação de Apicultura e Meliponicultura de MS) e um dos responsáveis pela introdução no Estado de um novo método que, segundo ele, pode elevar a produtividade média em MS de 20 kg para pelo menos 70 kg de mel por colmeia/ano. “Isso em uma área ruim!”, destaca ele. “Em regiões como Três Lagoas e Brasilândia, onde as abelhas podem utilizar tanto a florada silvestre quanto a de eucalipto, a produção pode ultrapassar 120 kg”, estima. O valor representaria um aumento de 500%. Foram essas informações preliminares, divulgadas no site da Federação, que chamaram a atenção do produtor tcheco para apicultura sul-mato-grossense. Na semana anterior, Bijos também recebeu um produtor italiano curioso com a proposta.

O método foi adaptado de técnicas argentinas para a realidade local pelo apicultor Adriano Adames, que em janeiro de 2012 acompanhou Bijos em visita técnica aos apiários do país vizinho pelo programa MS Sem Fronteiras. “As abelhas deles são europeias e as brasileiras são africanizadas. Demorei quatro meses para conseguir aplicar na minha propriedade e o resultado foi surpreendente”. Ele, que produzia uma média de 30 kg de mel por colmeia/ano, conseguiu chegar a quase 70 kg. Empolgado com o sucesso, o produtor vendeu o pouco gado que ainda tinha e investiu tudo na apicultura. Neste ano, passou de 250 para 500 colmeias e espera tirar 90 kg de cada uma apenas com a florada silvestre.

Os valores podem parecer irreais tendo em vista que a média nacional é apenas de cerca de 20 kg. No entanto, para o inspetor de mel orgânico Paulo Dalastra os números são bastante plausíveis. Ele, que trabalha pela certificação de 72 mil colmeias espalhadas em apiários em todo o Brasil, afirma que 70% da apicultura do país é voltada para a complementação de renda. Desta forma, a atividade não recebe grandes incentivos e o próprio produtor acaba se tornando resistente a qualquer inovação. “Em relação a outros países o Brasil está na época da pedra lascada”, afirma Dalastra. No entanto, quando se leva em conta os campos apícolas, o país está em uma posição privilegiada. “No Canadá, mesmo com um inverno rigoroso, eles conseguem tirar 120 kg de mel em quatro meses. O Brasil tem a capacidade de produzir mel durante oito meses com um clima muito mais estável”.

Aperfeiçoando a Técnica

O ciclo de vida da abelha operária é de 45 dias, sendo que praticamente metade disso é entre larva e pupa. “No Brasil, nós costumávamos deixar por conta da natureza o trabalho de formação dos enxames. Como nós só temos cerca de quatro meses de florada silvestre, acabávamos desperdiçando metade do período porque as abelhas ainda estavam se desenvolvendo”, afirma Adames. A técnica argentina exige um domínio avançado do sequenciamento do trabalho com a abelha. A proposta é que, em época de queda de florada, o apicultor se preocupe com a renovação dos enxames e não com a produção de mel. Desta forma, as abelhas estarão prontas para trabalhar logo no primeiro dia de primavera.

Além disso, é preciso fornecer espaços internos rapidamente e trabalhar com a reposição de favos e a troca de rainhas. Por fim, um dos segredos é a alimentação balanceada e a suplementação com o complexo de aminoácidos Promotor L, que de acordo com Bijos é um produto execrado pelo produtor brasileiro. “A apicultura no Brasil ainda é extremamente amadora e quando o produto chegou ao país foi utilizado de forma errada, o que resultou na morte dos enxames. Na proporção correta, no entanto, ele é um grande aliado”, expõe.

Multiplicação do conhecimento
Dentro de 15 dias, Dalastra vai começar a aplicar a técnica de Adames nas 400 colmeias de seu apiário. Uma de suas vantagens é que ela oferece altos índices de produtividade em enxames fixos. “Eu já conseguia tirar uma média de 110 kg de mel, só que eu precisava migrar meu enxame três vezes por ano em busca de novas floradas”, relembra ele. “Agora quem começar na atividade vai ter uma nova ideia do que é a apicultura. É um grande salto, o Brasil inteiro deveria copiar esse modelo”, complementa.

No Mato Grosso do Sul a multiplicação deste conhecimento já está em andamento. Em novembro de 2012, Adriano Adames e Gustavo Bijos iniciaram um curso de apicultura gratuito com duração de um ano para 30 técnicos agrícolas, para que possam repassar as novas técnicas para os demais apicultores do estado. “É uma tentativa de nivelar esse conhecimento e mostrar resultado. Mostrar que a apicultura pode ser a principal atividade econômica de qualquer produtor”, relata Adames. Os módulos do curso acontecem no apiário da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco, localizada na própria capital sul-mato-grossense), escolhido estrategicamente. “Nós pegamos o apiário do zero, cheio de problemas, com cera velha, enxame sem padrão… Aquilo que você encontra no dia a dia mesmo. Em 45 dias aplicando as técnicas conseguimos tirar 40 kg de mel em um período de queda de florada!”, anima-se Bijos. “Nunca vi uma coisa dessas em 15 anos de atividade”, destacou o veterinário.

Mesmo antes do início do curso, o agricultor familiar Julio César Salina, de Guia Lopes da Laguna/MS, já havia começado a utilizar parte das técnicas de Adames. Em sua propriedade, somando todas as suas 50 colmeias, ele costumava tirar 400 kg de mel. Com a orientação de Adames, o produtor buscou crédito pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) do Banco do Brasil e conseguiu investimento inicial para reformar 25 colmeias e adequá-las ao manejo sugerido. Desta forma, trabalhando com metade dos enxames que no ano anterior, ele finalizou 2012 com 1000 kg de mel colhidos. Para este ano, com a expectativa de dobrar esta produção, ele pretende se tornar fornecedor para a merenda escolar, que compra o mel a preço de mercado. Cada quilo do produto sai por R$ 15.

Fonte: Rural Centro
21 nov 2012

Abelhas sem ferrão e agricultura: uma relação sustentável

No Brasil, há um consenso entre diversos pesquisadores que a produtividade das culturas está aquém de seu potencial devido a um déficit na polinização

 A pesquisadora Kátia Braga, da Embrapa Meio Ambiente, de Jaguariúna, SP, aborda em seus trabalhos a importância de se conhecer e avaliar a polinização agrícola por abelhas para garantir um sistema de produção sustentável.

Para se ter uma ideia da importância das abelhas para a agricultura, segundo estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, 2004) estima que 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por estes insetos.

Conforme a pesquisadora, “no Brasil, há um consenso entre diversos pesquisadores que, apesar dos avanços tecnológicos, a produtividade das culturas agrícolas, incluindo-se aquelas sob sistema orgânico de produção, está aquém de seu potencial devido a um déficit na polinização. Esse déficit pode ser ocasionado por práticas não amigáveis às abelhas, como o uso frequente de agroquímicos e a ausência de vegetação natural nas proximidades da área cultivada”.

Estima que 73% das espécies vegetais cultivadas no mundo são polinizadas por abelhas

Enquanto no mundo estima-se que existam mais de 20.000 espécies de abelhas, o Brasil, devido as suas proporções continentais e riqueza de ecossistemas, abriga 25% destas espécies (cerca de 5.000).

“Contudo, explica Kátia, a abelha mais conhecida entre os brasileiros é a abelha de mel ou africanizada (Apis mellifera) que não é uma espécie nativa do nosso país. As nossas abelhas sociais, produtoras de mel, são as abelhas sem ferrão que não conseguem picar por apresentarem um ferrão atrofiado. Apesar da diversidade dessas abelhas no Brasil, são cerca de 300 espécies, a maioria delas é desconhecida da população, em geral, mesmo considerando que muitas delas fazem seus ninhos em muros, paredes e árvores nas áreas urbanas e rurais”.

“Se as abelhas são os principais polinizadores das plantas cultivadas, como estima o estudo da FAO, precisamos conhecer as abelhas sem ferrão assim como as outras espécies de abelhas nativas do Brasil (sociais ou solitárias), aprender a conservá-las nos ambientes naturais e manejá-las para a polinização agrícola. Dessa forma, podemos contribuir para uma maior produtividade dos frutos e sementes que utilizamos em nossa alimentação e dos animais domésticos e, também, de sementes para o plantio e cultivo de diversas espécies”, enfatiza Kátia.

Além disso, a polinização realizada pelas abelhas em ambientes naturais garante a conservação da diversidade de plantas e animais silvestres pois contribui com a reprodução das espécies vegetais que por sua vez sustentam a fauna local.

Como exemplo do papel das abelhas na polinização agrícola, Kátia cita um estudo recente realizado no semiárido brasileiro com a cultura da acerola. Essa cultura, que é polinizada por um grupo de abelhas que coletam óleos florais (gêneroCentris), apresentou falha na polinização no período da seca, produzindo uma quantidade muito menor de frutos que aquela obtida pela polinização manual (realizada pelo ser humano) neste período, devido à baixa abundância destas abelhas, fato que não ocorreu no período das chuvas.

“Outro caso bastante conhecido é o da polinização do maracujá, que é inadequada em muitas lavouras devido à escassez de seu principal polinizador, a abelha carpinteira ou mamangava (gênero Xylocopa), nas proximidades da cultura”.

Kátia Braga abordou, como parte do curso oferecido aos professores do Centro Paula Souza, o tema abelhas sem ferrão e manejo agrícola. A escolha por este grupo de abelhas está associada à facilidade de criação e manejo de muitas de suas espécies, ao sabor e qualidade do mel produzido, ao fato delas não ferroarem e aos resultados de várias pesquisas que destacam seu potencial como polinizadores de culturas agrícolas. Além disso, por todas esses aspectos, elas podem ser utilizadas como um interessante recurso didático-pedagógico-experimental em escolas técnicas, de ensino básico e superior. Este foi, justamente, um dos objetivos do desenvolvimento desse tema junto aos professores das escolas técnicas agrícolas vinculadas ao Centro Paula Souza.

Para mais informações, entre em contato com a equipe da InvestAgro pelos telefones (34) 3084-8446 e (34) 9147-9310, temos projetos de apicultura.

Fonte: Portal Dia de Campo

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