O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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19 jan 2012

IOF do crédito pode ter novo corte

O governo federal avalia a possibilidade de uma nova rodada de redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito ao consumo.

No fim do ano passado o Ministério da Fazenda reduziu a alíquota do tributo de 3% para 2,5% ao ano. Agora, poderá haver uma queda de mais 0,5 ponto percentual, com o imposto caindo para 2% ao ano. Isso vai depender dos dados relativos ao nivel de atividade econômica que começarem a surgir referentes aos dois últimos meses (dezembro e janeiro).

Se os indicadores econômicos ainda vierem fracos neste período, comprometendo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o governo lançará mão de mais esse estímulo à expansão do crédito e da demanda.

Há um claro empenho da presidente Dilma Rousseff para assegurar que o crescimento da economia neste ano seja mais próximo de 4% do que de 3%, distanciando-se do desempenho registrado em 2011.

Ao ter como “carta na manga” uma redução gradual do IOF, o governo também pretende preservar sua meta fiscal, com um superávit primário de 3,1% do PIB (R$ 139 bilhões). Cada corte de 0,5 ponto percentual no imposto representa uma renúncia fiscal de R$ 1,6 bilhão.

Outra preocupação do Ministério da Fazenda é com a desvalorização do dólar frente ao real nos últimos dias. O ministro Guido Mantega determinou à sua assessoria que investigue o que está acontecendo e proponha medidas para interromper esse processo.

A desvalorização do dólar diante do real já atingiu 5,46% no ano. De segunda-feira até ontem, quando encerrou o dia cotada a R$ 1,7670, a moeda americana acumulou depreciação de 1,28%. Esse movimento não é apenas local, mas especialistas em câmbio avaliam que, assim como houve no fim de 2011 uma acentuada desvalorização do real, o mercado agora está corrigindo os excessos.

Divulgado ontem, o fluxo cambial nas duas primeiras semanas do mês foi substancial – saldo positivo de US$ 3,018 bilhões -, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Só na semana passada, a oferta de dólares superou a demanda em US$ 3,725 bilhões. Os exportadores, aproveitando a taxa de câmbio, trouxeram dólares para o país, ajudando a derrubar a cotação. Esse é um movimento que, no entanto, se esgota em pouco tempo, avaliam fontes do governo.

A última medida de impacto no mercado de câmbio foi adotada em julho do ano passado, quando a cotação do real diante do dólar chegou a R$ 1,53. Naquela ocasião, o governo decidiu taxar com IOF de 1% o aumento das posições vendidas em câmbio de bancos e empresas nas operações com derivativos. A enorme dificuldade para operacionalizar essa cobrança fez o Ministério da Fazenda adiar por três vezes o início do recolhimento do imposto, que deve começar, de fato, neste mês. Economistas do governo entendem que a taxa de câmbio “ótima”, hoje, seria algo na casa de R$ 1,85.

Fonte: Valor Online
17 jan 2012

Os sete desafios do agribusiness – a jornada dos próximos 10 anos

Com muito mais sensores sendo inventados e usados no mundo, passamos a auscultar, medir e saber coisas que ignorávamos

Com muito mais sensores sendo inventados e usados no mundo, passamos a auscultar, medir e saber coisas que ignorávamos. Mais rastreabilidade, mais análise sensorial, lá vamos no agribusiness com um dos desafios dentre os 7, de significativa importância e predominância:

O REINO DE AVATAR. Uma geração de clientes e de consumidores cada vez mais sensíveis e sensibilizados pelas informações da sustentabilidade em todos os níveis. A Coca Cola manda analisar os lotes de suco de laranja que recebe para processar seus refrigerantes e detecta resíduos de Carbendazin, por exemplo. Esse defensivo é usado para o controle da pinta preta na laranja. Ela fica não estética, porém o aspecto da saudabilidade passa a contar. E se tem algo que a Coca Cola, e todos os processadores e redes de varejo do mundo, não querem, é ter problemas com reclamações e riscos de saúde dos seus clientes. Portanto, estabelece-se a discussão, e os técnicos vão debater, se 30 partes por bilhão na laranja, é nocivo ou não, e por que o Japão aceita 3 mil, e a Europa 200 partes por bilhão, e o que vão fazer com os Estados Unidos que tem na sua regra zero, ou 10, o que é praticamente zero? Um desafio crescente é exatamente esse dos sensores e da ampliação da sensibilidade e de baixíssimos limiares à questão da saúde humana e do planeta.

O segundo desafio é sobre as terras agricultáveis. O mundo precisará dobrar sua oferta de alimentos e de energia renovável. Os dados da FAO dizem que 70% desse aumento virá da tecnologia, 10% da intensidade de ciclos agrícolas na mesma área e os restantes 20%, esses sim – advindos de novas áreas agrícolas. Quer dizer, terra passou a valer ouro. A expansão de novas fronteiras ficou limitada e a relação de posse das terras agricultáveis muda de figura, sendo um dos ativos que mais valorizaram no mundo nos últimos 5 anos. O Brasil ao lado do Sudão, na África, são as duas reservas maiores do planeta, neste quesito.

O terceiro desafio é o da população: gente. Crescemos à proporção de 4 novos nascimentos por segundo. Seremos 9 bilhões, já somos 7 bilhões. E este novo habitante está completamente conectado e inter-ligado. A internet amplia a ética situacional do passado, e além das conexões via celulares, computadores, televisores, ela vem ai agora na nova Internet das coisas. Quer dizer, no chuveiro, no micro ondas, no fogão, no carro etc.

O quarto desafio é não só a produção alimentar, que deve dobrar, mas a qualidade da mesma. Matérias primas produzidas a partir do campo passam a importar cada vez mais na análise percebida das marcas dos processadores e distribuidores de alimentos, fibras, energia, proteínas e demais derivados do agronegócio. Alimento e energia, sua produção, distribuição e percepção pelos mercados interconectados se transformam em um novo desafio para a gestão de toda a cadeia de valor, desde o antes, passando pelo dentro e pelo pós porteira das fazendas.

O 5º. Desafio a inovação, a adoção, a gestão da tecnologia e seu ciclo de vida. O problema não é mais contar com uma tecnologia avançada, a necessidade é que precisamos contar com mais do que uma. Essa diversidade tecnológica de ponta vai exigir de agricultores, da indústria química, mecânica, da genética, e dos processadores um nível de diálogo “online”. A área acadêmica, a escola e a pesquisa pública não resistirão à ausência de velocidade, bem como a governança do agronegócio será cada vez mais fundamentado nos conselhos setoriais. Na tecnologia, as reservas dos germoplasmas locais será fator de gestão de risco e de segurança ambiental, político e de interesse nacional.

O 6º. Desafio é a questão: Quem será o produtor rural em 2022? Daqui a 10 anos, quem será, como serão, quantos existirão? Quais os segmentos, os nichos? Quais as competências desse novo quadro humano de produtores para os próximos 10 anos? O presente passou a ser o resultado do futuro. O que já temos agora, quais os sinais que já captamos neste instante que nos revelam a jornada e a janela do amanhã? Antever os movimentos é um desafio essencial para todos os agentes envolvidos no agribusiness, e que será fundamental para a construção de “brands” que resistam ao tempo. Produto é o que fazemos na indústria ou no campo, marca é aquilo que construímos na mente apaixonada dos seres humanos. E, se o produtor é esse universo a ser revisto, incluindo a imprevisibilidade cíclica do mundo, onde numa crise européia, por exemplo, começamos a assistir um êxodo ao contrário: urbanos abandonam as cidades e iniciam novos negócios no campo; as velhas “quintas” passam a ser vistas como fontes de qualidade de vida, e também, de empreendedorismo; se isso tudo configura uma das questões que mais intrigam os atuais executivos gestores dos agronegócio, entra aqui o 7º, desafio : Marketing. O velho e bom marketing: agronegócio sem marketing é só agro, sem negócio: que significa colocar a mente humana de todos os stakeholders no centro das mesas de decisões dos negócios, e do agronegócio.

O quanto sabemos desse exército de novos clientes oriundos da base da pirâmide planetária? Desses atuais 7 bilhões, praticamente a metade é de novos entrantes. Se o macarrão, por exemplo, tem penetração e capilaridade em 100% das residências do Brasil, e somos o 3º maior mercado do mundo nas massas, é agora, com a ascensão da classe C, quase 100 milhões de consumidores ávidos pelas vontades consumistas, que começou a haver a penetração das novas massas recheadas. Do “spaghetti” ao caneloni é a jornada que já está em veloz penetração. E, da mesma forma nas carnes, leite, hortifrutis, fibras, cana, cacau, arroz… ou seringueiras.

Terra, pessoas, alimento e energia, o Reino de Avatar, tecnologia, o produtor do futuro, e o marketing. A síntese dos 7 desafios do agribusiness. Como será 2022? 10 anos à frente do nosso tempo?

O diálogo com a sociedade é fator “sine qua non” por parte de todos os agentes envolvidos no agronegócio, e construir empresas com uma nova inteligência pedagógica passa a ser vital. Na educação antiga éramos levados a primeiro pensar, depois fazer e se desse um dia na vida: sentir. A expressão lúdica, moderna, começa pela arte do fazer, ao fazer sentimos e ao sentir pensamos. Essa prudência é sagrada para não cairmos nos grandes erros das decisões de líderes bem intencionados, mas que caem no pecado das distrações. A velocidade mudou, é quase instantânea e todos esses 7 macro desafios do agribusiness precisam estar embalados pela altíssima velocidade de um novo hibrido: faz, sente e pensa.

* Jose Luiz Tejon Megido, dirige o núcleo de agronegócio da ESPM. Diretor Vice Presidente de Comunicação do CCAS – Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável/ Comentarista da Rede EstadãoESPN.

Fonte:  Alfapress
17 jan 2012

O que o Brasil quer dos EUA?

O Brasil é a chave para a América Latina”, declarou o senador norte-americano Richard Lugar. As palavras do líder republicano na comissão de relações exteriores do Senado daquele país ecoaram uma observação feita há quatro décadas pelo presidente Richard Nixon, para quem o Brasil era a “chave do futuro” da política externa dos EUA para a América Latina. Diante das idas e vindas do relacionamento bilateral nas últimas décadas, classificado por alguns como uma relação de indiferença benigna, a analogia não parece ser muito esclarecedora.

Durante um breve período da Guerra Fria, o governo dos EUA elaborou a ideia de elevar relacionamentos bilaterais com algumas potências regionais como meio de compartilhar parte da responsabilidade de sua política global de contenção comunista. É razoável acreditar, portanto, que a analogia do “país-chave” era uma referência à importância do Brasil no tabuleiro estratégico da América Latina. Análises históricas recentes, contudo, sugerem que, apesar da retórica ambiciosa, o engajamento entre os dois países permaneceu vago durante boa parte daquele período (ver “Kissinger e o Brasil”, de Matias Spektor — 2010).

Desde o fim da Guerra Fria, as relações Brasil-EUA têm sido difíceis de rotular. Apesar das características e dos valores comuns entre as duas maiores democracias e economias do hemisfério ocidental, a agenda bilateral tem sido muito menos ambiciosa quando comparada com a de outros países da região ou outras potências emergentes. O fato que as similitudes e as possibilidades de cooperação entre os dois países não se traduzem em políticas concretas é, para algumas autoridades de lado a lado, um sinal de um descompasso paradoxal.

Parte do problema decorre de diferentes percepções nos dois países. Enquanto Washington ainda tende a enxergar a América Latina por meio de uma mentalidade maniqueísta remanescente da Guerra Fria, Brasília parece encontrar dificuldades para chamar a atenção do establishment de política externa dos EUA. Frequentemente muitas iniciativas políticas dos EUA para a região são percebidas pelo Brasil como respostas a outras questões que preocupam Washington. Se antes era o comunismo, hoje é o populismo nacionalista, o terrorismo e a crescente influência da presença econômica da China que funcionam como incentivos para a conformação da agenda latino-americana dos EUA.

Essa abordagem, entretanto, tende a distorcer as nuanças políticas e econômicas que existem na região. Muitas das mesmas iniciativas de Washington que são vistas como oportunidades promissoras para alguns países são recebidas com ceticismo ou mesmo resistência pelo Brasil. Negociações de livre comércio e, até certo ponto, cooperação militar são alguns exemplos. Ademais, é difícil imaginar que o Brasil possa ter qualquer influência sobre as relações dos EUA com o México, a América Central, a Colômbia ou até mesmo o Chile. Se for esse o caso, parece que a própria ideia da América Latina, ainda bastante popular nos círculos políticos de Washington, está defasada. Aliás, cabe lembrar que desde o final dos anos 90 o Brasil vem redesenhando os limites de seu entorno estratégico para abarcar apenas a América do Sul.

Há também obstáculos para a intensificação das relações Brasil-EUA também do lado brasileiro. É uma linha tênue que separa uma política externa mais assertiva do antiamericanismo que facilmente encontra lugar na retórica diplomática. Um dos fatores por trás da política externa regionalista do Brasil, aliás, foi o receio com a influência americana (econômica e militar) sobre os vizinhos brasileiros. Em parte, essa mesma lógica está presente por detrás da estratégia mais recente do Itamaraty de valorizar as coalizões de potências emergentes, como os Brics, para elevar a influência do país em assuntos globais.

De todo modo, certamente há espaço para que as relações entre os dois países avancem, principalmente na área comercial e em cooperação tecnológica e de energia. Todavia, diferentemente de outras grandes economias da região, ao Brasil não interessa ajuda ou um acordo de livre comércio com os EUA. Os interesses brasileiros, diante da superpotência, se assemelham muito mais com os de outras potências regionais em ascensão, como a Índia. O presidente Obama em visita ao país no ano passado, aliás, parece ter percebido isso quando defendeu tratar o Brasil como os EUA tratam a China e a Índia. Naturalmente essa ideia deverá criar um ambiente favorável para a visita da presidente Dilma Rousseff àquele país em março.

Neste momento, portanto, a moeda de troca entre Washington e Brasília é reconhecimento. Essa é a verdadeira chave que poderá abrir a porta para um relacionamento mais estreito entre os dois países no futuro.

JOÃO AUGUSTO DE CASTRO NEVES é cientista político.

Fonte: O Globo
17 jan 2012

Um pré-sal verde

O mundo acompanhou no final de 2011 a COP-17, a conferência sobre clima organizada pelas Nações Unidas em Durban

O mundo acompanhou no final de 2011 a COP-17, a conferência sobre clima organizada pelas Nações Unidas em Durban. Não faltou quem comemorasse o resultado alvissareiro que lançou as bases para um futuro acordo de controle das emissões de gases poluentes envolvendo todas as nações.

Infelizmente o resultado da conferência, a exemplo da de Kyoto em 1995, pode não passar de apenas alvissareiro. Afinal, até 2020 nada se fará pelo combate ao aquecimento global, quando então deverá entrar em vigor “um protocolo com força legal” para tanto, como diz o texto da conferência na África do Sul.

Há muito tempo a questão ambiental deixou de ser um problema do futuro, pois é no presente que ele se mostra inevitável, com o pouco que fazemos para sua solução.

O Brasil, contudo, tem trabalhado para isso. Entre várias linhas de ação se destaca o Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que desde 2004 prevê a mistura de 5% de biodiesel no diesel mineral comercializado no país.

De lá para cá, uma indústria dinâmica e inovadora se formou em torno deste importante ativo na matriz energética do futuro.

Cerca de R$4 bilhões foram investidos em pesquisa e desenvolvimento, em um parque fabril composto por mais de 60 usinas espalhadas por todo o país, que geram 1,3 milhão de empregos.

O cenário é o de um verdadeiro “pré-sal” verde, onde cada usina é como uma plataforma de produção cercada por um mar de soja e outras culturas agrícolas, a um custo muito menor do que na camada do pré-sal fóssil e com ganhos de sustentabilidade incomparáveis.

Sem falar nos riscos de acidentes que a exploração do óleo cru implica, como os no Campo de Frade, no litoral norte do Rio de Janeiro, exatamente quando acontecia a conferência da ONU.

Nos últimos cinco anos o setor mobilizou a participação de 103 mil famílias de pequenos agricultores como fornecedores de matérias-primas. Mas o que quase ninguém que se reuniu em Durban sabe é que o caminho pela frente só tende a melhorar se forem dados os passos certos.

O Brasil produz hoje de 2,6 a 2,8 bilhões de litros de biodiesel e consome uns 200 milhões de litros a mais. Esse desempenho faz de nós o terceiro produtor mundial e o líder em consumo, com a retração do mercado interno alemão em função da crise na Europa.

Portanto, se já investimos R$4 bilhões para misturar 5% de biodiesel no diesel vendido no país, para chegarmos a 20% da mistura, como pretendido em 2020, investiremos quase R$30 bilhões. Na geração de empregos, chegaremos a 4,7 milhões de postos de trabalho. E, no envolvimento das famílias agricultoras, serão 531 mil.

Entretanto, o país não tem ainda leis que assegurem a gradativa introdução do combustível na matriz energética, tanto do Brasil quanto do mercado externo, pois hoje não exportamos uma gota de biodiesel, perdendo competitividade e deixando de contribuir para o saldo da balança comercial. O setor tem contribuído, ao menos, para reduzir o déficit suprindo parte das importações de diesel.

Em termos de benefícios ao meio ambiente, à saúde humana e às políticas de saúde pública, os benefícios da adoção do biodiesel são comprovados cientificamente por estudo da Fundação Getúlio Vargas.

O combustível emite 57% menos gases poluentes que o diesel fóssil. Com 10% de mistura, a emissão de gás carbônico reduzirá em 8%. Com 20% misturados ao diesel normal, ela cairá em 12%.

Com 5% misturados no diesel que move ônibus e caminhões em nossas estradas e cidades, o biodiesel contribui para reduzir em 12.945 o número de internações hospitalares por problemas respiratórios. Com 10% misturados, essa redução pode chegar a 34.520. E a 20% de mistura, 77.672 internações a menos.

Na mesma trajetória de aumento de mistura, hoje, com 5% de biodiesel no diesel, 1.838 vidas são poupadas. Com 10%, esse número pode chegar a 4.902. E, quando estivermos com 20%, o Brasil estará salvando 11.029 vidas.

Mas enquanto na Europa e na América Latina (Argentina e Colômbia) a previsão é de chegar em 2020 com 20% de mistura de combustível limpo no diesel, a falta de previsão legal no Brasil, apesar do PNPB e de todo o comprometimento institucional, leva a tomar corpo no setor produtivo a proposta de graduação anual de 1,5% da mistura, para que os benefícios sejam permanentes e para todos.

O crescente consumo de energia no mundo gera previsões da necessidade de um aumento de 30% na produção nos próximos dez anos, vindos do petróleo. O pré-sal brasileiro tem um importante papel a desempenhar nesse cenário. Não podemos, no entanto, esquecer as alternativas limpas e renováveis.

A crise econômica na Europa e nos EUA, a chamada Primavera Árabe e questões como o respeito aos direitos humanos, às minorias e ao meio ambiente podem ser sintomas de que a humanidade vive um momento de inflexão, de onde deve emergir com valores mais nobres, onde o biodiesel pode ser parte desse futuro.

ERASMO BATTISTELLA é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil.

Fonte: O Globo
13 jan 2012

O que será o Brasil em duas décadas?

O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011

O ano de 2012 inicia-se com projeção de crescimento menor e inflação maior vis-à-vis ao início de 2011. No entanto, essa queda parece ser apenas um desvio de curso em uma trajetória de crescimento que é cada vez mais consensual: a possibilidade de o Brasil crescer perto de 4% ao ano, o que significaria duplicar a nossa renda per capita em pouco mais de duas décadas para valor próximo à renda de Portugal hoje (US$ 24 mil), mas ainda muito inferior ao padrão de renda atual dos EUA (US$ 48 mil) e da União Europeia (US$ 35 mil).

Dobrar a renda per capita em pouco mais de duas décadas não é ruim. A Inglaterra levou 150 anos para dobrar a sua renda per capita depois da revolução industrial. Por outro lado, países com renda per capita muito superior à do Brasil, como é o caso da Coreia do Sul (US$ 31 mil), tem hoje a perspectiva de dobrar a sua renda já elevada em menos de uma década e meia (14 anos).

É claro que o crescimento da economia brasileira ao longo das próximas duas décadas não está dado. O crescimento poderá ser maior se o Brasil retomar a agenda de reformas necessária para elevar o crescimento, ou poderá ser menor se utilizarmos a conjuntura externa (ainda) favorável para aumentarmos apenas o consumo. Não se trata de diminuir o consumo presente, mas apenas dosar a sua taxa de crescimento para aumentar o investimento público e privado; uma estratégia que, na prática, está longe de ser consensual.

Tendência é de maior especialização em commodities e petróleo, principalmente, com valorização do real

Os fatores positivos que nos trazem conforto nas próximas duas décadas são: 1) os efeitos positivos das reformas econômicas de 1986 a 2005; 2) o boom de commodities que diminuiu a restrição externa ao crescimento, e 3) o descobrimento do pré-sal, com impactos positivos na taxa de investimento e na arrecadação de impostos (em relação ao PIB).

No entanto, esse cenário positivo contrasta com uma série de desafios ainda “em aberto”. Um desses desafios é a educação. O Brasil, desde meados dos anos 90, vem aumentando o esforço de investimento em educação, mas a qualidade da educação básica ainda é ruim. Sabe-se hoje que a melhora na qualidade da educação depende de uma série de políticas (escola em horário integral, nova política de contratação e treinamento de professores, maior investimento na pré-escola, reforma e aumento da taxa de matrícula do ensino médio, etc.), mas não se sabe “ex ante” o que funcionará nem quais delas têm melhor relação custo-benefício.

O desafio do crescimento dos gastos com saúde não é menos importante. O Brasil não tem hoje recursos para cumprir com a letra da Constituição que estabelece, no seu Art. 196, que o acesso à saúde é universal e dever do Estado, e com cobertura integral (Art. 198). O que equilibra o SUS são as filas e os planos privados de saúde que cobrem 25% da população. Mesmo assim, estima-se que cerca de 30% da população brasileira não tenha acesso a serviços de saúde regularmente. A tendência é que esse quadro se agrave já que, ao longo dos próximos vinte anos, a população brasileira crescerá a uma taxa próxima a 0,9% ao ano, enquanto a população com mais de 60 anos crescerá a uma taxa de mais de 3,5% ao ano, aumentando a participação dos idosos no total da população de 10% (19,2 milhões de pessoas), em 2010, para 18,7% (40,4 milhões de pessoas), em 2030. Esse envelhecimento da população pressionará ainda mais os gastos do SUS, se não aumentarmos os gastos com prevenção nos próximos anos.

A mudança demográfica em curso no Brasil levará também ao crescimento dos gastos com previdência e menor expansão da força de trabalho. O Brasil gasta com previdência de cerca de 12% do PIB para uma razão de dependência (população com 65 anos ou mais dividida pela população em idade ativa de 15 a 64 anos) de 9,1%. Pela média mundial, nosso gasto atual com previdência seria equivalente a um país com taxa de dependência 25% a 30%. Com o envelhecimento da população, o gasto com previdência (em relação ao PIB) crescerá ainda mais e, por enquanto, não temos ideia de como lidar com esse problema.

Em relação à indústria, a tendência natural da economia brasileira é de maior especialização em commodities, principalmente na cadeia de petróleo, com valorização da moeda. Esse cenário levará à redução de participação de setores da indústria no PIB, principalmente os intensivos em mão de obra como calçados, vestuário, brinquedos e outros. Não está claro como o governo reagirá a esses movimentos estruturais, se com mais proteção ou com políticas que facilitem as mudanças estruturais. O desejável seria a redução da carga tributária da indústria, mas hoje falta espaço fiscal, o que tem levado a uma agenda negativa de maior proteção comercial.

O maior risco para o crescimento do Brasil nas próximas duas décadas é acharmos que poderemos nos acomodar com a riqueza do pré-sal e com o boom de commodities. A bonança dos recursos naturais deveria ser utilizada para avançar, ainda que de forma gradual, na agenda de reformas que será importante para definir o que será o Brasil em duas décadas, se um país de renda per capita próximo a US$ 20 mil e com forte especialização em commodities, ou outro de renda per capita mais próximo a US$ 30 mil e com uma indústria dinâmica, mas com menor participação no PIB.

Mansueto Almeida é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A opinião expressa é a do autor, não representando o ponto de vista do instituto.

Fonte: Valor Online