O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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18 jun 2013

Demanda em alta dobra a rentabilidade do produtor

A produção de carne de cabras e cordeiros tem conseguido bons resultados apesar do aumento da oferta e encara um horizonte otimista para este ano

rebanho-cordeiroA produção de carne de cabras e cordeiros tem conseguido bons resultados apesar do aumento da oferta e encara um horizonte otimista para este ano, apoiada na demanda aquecida. Segundo produtores e técnicos consultados pelo DCI, a perspectiva de o mercado uruguaio mudar de foco e passar a exportar carne com osso para a Europa ainda neste ano também contribui como otimismo do setor.

Em seis anos, a rentabilidade média dos produtores praticamente dobrou, passando de R$ 6 o quilo da carcaça para uma média de R$ 12, enquanto o plantel de ovinos cresceu 25%, de 14 milhões de cabeças para 17,6 milhões. O maior rebanho está no Rio Grande do Sul (RS), com 4 milhões de animais, onde os produtores conseguiam no ano passado uma renda de mais de R$ 5 o quilograma da carcaça.

De acordo com a Arco, neste ano alguns produtores têm conseguido vender a carcaça por até R$ 13,50. O gerente da fazenda Dorper Campo Verde e analista de mercado Carlos Vilhena afirma que o aumento da demanda pelo cordeiro, em específico, principalmente no Centro-Sul, tem garantido os preços da carne, diferentemente do consumo de carneiro ou ovelha, que tem se mantido estável. “O consumo de cordeiro está tendo um crescimento brutal, e não temos ainda produção suficiente”, diz Vilhena.

Alguns produtores ainda veem margem para aumentar a remuneração. Regina Valle, coordenador técnica da Associação Brasileira de Criadores de Dorper (ABCDorper) observa que muitos produtores não estão formalizados porque conseguem preços melhores no mercado informal. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovino (Arco), Arnaldo dos Santos, 90% do consumo doméstico de ovinos, que chega a 85 mil toneladas por ano, é provindo de abates informais. Ele ressalta que a defasagem também é reflexo da existência de produção de subsistência e familiar.

A perspectiva de que o Uruguai consiga a liberação para exportar carne de ovino com osso para a União Europeia (UE) também estimula parte dos produtores. Valle acredita que o maior valor do euro ante o real deve naturalmente direcionar as exportações do país vizinho ao bloco europeu, abrindo espaço para o aumento da oferta nacional. Já Arnaldo dos Santos acredita que o impacto dessa mudança de foco dos uruguaios será pouco sentido no Brasil. “Talvez o que implique é dimensão do oferta de alguns cortes para nós. Mas o nosso mercado remunera bem, eles não vão abandonar.”

Genética

Outra saída à qual os produtores de ovinos têm recorrido são os cruzamentos para melhoramento genético do rebanho. A fazenda Dorper Campo Verde, localizada em Jarinu (SP), por exemplo, conseguiu reduzir entre 15% e 20% seus custos ao cruzar seus animais com as raças Dorper e White Dorper, a partir de embriões importados da África do Sul. “Os animais ficam prontos com cerca de 35 quilogramas a 40 quilogramas em cerca de 120 dias. Isso acontecia no mínimo com oito meses de idade antes da introdução dessas raças”, conta o gerente da fazenda.

O cruzamento também permite ao produtor ter maior aproveitamento de carne de um único animal. Uma ovelha comum tem rendimento em torno de 40%. Com rendimento de meio sangue Dorper, o aproveitamento sobre para até 50%, e Dorper puro pode ser aproveitado em 60%. “Isso tem envolvimento direto com receita”, assegura Vilhena.

Custo

Ainda assim, os custos de produção podem variar entre 40% e 60%, variação que “depende do sistema de produção”, segundo Regina Valle. Apenas a ração das cabras, dependente das cotações de soja e milho, gira em torno de 50% a 60% da despesa.

A produção em confinamento, considerada a mais eficiente em termos de custo, já é praticada no Centro-Sul. Essa região, porém, concentra um volume minoritário dentro do rebanho nacional. Rio Grande do Sul e os estados do Nordeste detêm, respectivamente, 22,6% e 56,2% das cabeças do gado nacional.

Sem a adoção de confinamento, Vilhena estima que um investidor que está começando no negócio de ovinos consegue ter retorno entre três e cinco anos. As perspectivas otimistas de retorno financeiro têm estimulado investimentos locais. Na Bahia, segundo maior produtor nacional, já há um projeto de R$ 100 milhões em uma fazenda em Xique-Xique, à beira do Rio São Francisco, que deve abrigar inicialmente cerca de 10 mil ovinos.

Fonte: DCI
31 jan 2013

Técnicas simples melhoram a produção de caprinos no Semiárido

Pequenas mudanças de práticas na criação de caprinos podem apresentar bons resultados para os produtores do sertão do Nordeste

caprino-semiaridoUm estudo realizado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Petrolina (PE), mostra que a adoção de algumas técnicas simples permitem melhores desempenhos produtivos dos animais, o que implica em maior rentabilidade da atividade.

Os experimentos estão sendo conduzido pelo pesquisador da Embrapa Semiárido Tadeu Vinhas Voltolini e pelo médico veterinário Jair Campos Soares, mestrando em Ciência Animal pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O foco do sistema de produção analisado é a alimentação e o manejo dos animais.

Tradicionalmente na região, a criação de caprinos é praticada de forma extensiva, com a alimentação baseada exclusivamente na vegetação nativa da Caatinga. Segundo os pesquisadores, esta base alimentar é insuficiente tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, e a perda de peso provocada especialmente no período da seca compromete o desempenho reprodutivo das fêmeas e o peso das suas crias.

Já no sistema de criação proposto na pesquisa, utiliza-se uma combinação da vegetação nativa e reserva de forragens. “Quando está verde, criamos o rebanho na Caatinga – sem exceder a quantidade de animais alimentados com essa vegetação –, e quando está seco usamos outras estratégias para a alimentação, como a palma, o capim bufel, a pornunça, a maniçoba e a melancia forrageira, a maioria sendo conservada na forma de feno e silagem”, explica Tadeu Voltolini.

Quanto ao manejo dos animais, uma das principais técnicas adotadas é a estação de monta, em que os machos são mantidos separados do rebanho, e colocados junto às fêmeas somente no período programado para a reprodução. Dessa forma, o nascimento, o desmame e a engorda dos animais podem ser planejados, dando atenção a cada uma dessas atividades – o que representa melhor manejo dos animais em associação com a otimização da mão-de-obra da propriedade.

De acordo com Jair Soares, nesse sistema de produção, o índice de mortalidade das crias foi de apenas 5%, número considerado baixo quando comparado ao sistema tradicional de criação extensiva, que chega a ser superior a 30%. Além disso, a fertilidade das fêmeas alcançou 75%, valor bastante superior ao normalmente encontrado na região. “Com uma alimentação e manejo adequados, a eficiência reprodutiva dos animais aumenta”, explica o veterinário.

Para o pesquisador Tadeu Voltolini, esses são resultados que vão levar a propriedade a ter um melhor retorno econômico. Os dados da pesquisa foram obtidos no ano de 2012, marcado pela maior estiagem das últimas décadas no Nordeste. “Isso mostra que mesmo em um período de seca, técnicas simples fazem grande diferença em um sistema de produção”, avalia.

Fonte: Rural Centro
20 set 2012

Sucesso no mercado começa na organização do criatório

Inseminação artificial e a sincronização de cios são os principais aliados para a amplificação de uso de carneiros selecionados e a concentração dos partos

Seja na Região Sul ou na Região Nordeste, o foco da ovinocultura hoje é a produção de carne e, em especial a carne de cordeiro, cujo consumo é crescente no país. Faz-se necessário então tornar a estrutura do criatório o mais eficiente possível no quesito reprodução animal. Recursos como a inseminação artificial e a sincronização de cios são os principais aliados para a amplificação de uso de carneiros selecionados e a concentração dos partos.

Como resultado do emprego correto e estratégico dessas conhecidas tecnologias e trabalhadas desde a década de 1940, o criatório ganha em organização e eficiência, o que vai significar uma produção maior e melhor de cordeiros, bem como regularidade na colocação do produto no mercado.

De acordo com o pesquisador José Carlos Ferrugem, da Embrapa Pecuária Sul, o criador deve estar atento ao desenvolvimento e manutenção ideal de uma estrutura de manejo que privilegie justamente a realização desse trabalho. Nesse sentido, a reprodução animal em si passa a ser a percebida como a parte final de um processo que é indissociavelmente dependente de um bom manejo sanitário, nutricional e genético do rebanho (ouça a íntegra da entrevista).

“No que se refere à infraestrutura, os requerimentos são maiores quando o número de ovelhas concentradas para inseminação é superior a 500 ovelhas, quando os rebanhos são menores, as instalações podem ser simplificadas. Um exemplo interessante foi desenvolvido pelo Serviço de Fisiopatologia da Reprodução e Inseminação (SFRIA) do Ministério da Agricultura. Na antiga Fazenda Experimental de Criação “Cinco Cruzes” do Ministério da Agricultura, atual Embrapa Pecuária Sul, foi instalado a partir de 1943 um programa para o desenvolvimento da inseminação artificial de ovinos com sêmen fresco”, explica.

Ainda segundo Ferrugem, o referido programa foi referência internacional e deixou legados importantes quanto à padronização de técnicas eficientes, desenvolvimento de instrumental e infraestrutura de manejo para com os animais. O conjunto de mangueiras, bretes e tronco para inseminação foi aprimorado pelos integrantes do SFRIA, considerando aspectos da fisiologia dos ovinos e praticidade de manejo com os animais, podendo servir como um modelo para a construção de novas instalações para a execução de serviços de inseminação artificial.

Vista superior do parte interna da estrutura que privilegia o manejo reprodutivo em ovinos

Durante a última edição da Expointer, em Esteio, RS, no final de agosto, o estande da Embrapa apresentou uma maquete eletrônica que mostra uma arquitetura idealizada para otimizar o processo reprodutivo. A estrutura contempla desde critérios como a apartação dos animais até o conforto do técnico para a realização da inseminação com melhores resultados, passando ainda pela importante questão da ambiência dos animais.

Fonte: Portal Dia de Campo
28 jun 2012

Conhecimento das raças para sistemas de produção de carne de cordeiro

Definidas quais características devem ser priorisadas no seu rebanho, criador direciona estrategicamente seu negócio

O conhecimento das raças que podem ser criadas em nossas condições, possui uma grande importância, tendo em vista que este conhecimento auxilia na determinação do sistema de criação a ser adotado, assim como do produto a ser explorado, buscando-se em todo e qualquer sistema de criação, o aumento da produtividade e o consequente posicionamento deste produto no mercado interno e também no mercado externo.

A definição do termo raça por ser dada como sendo um “grupo de indivíduos da mesma espécie, que possuem uma série de características comuns, distintas de outros da mesma espécie, sendo estas características transmissíveis à descendência”. Estas características são produtivas, fisiológicas, morfológicas e genéticas.

Dentre as características produtivas estão às relacionadas à produção de leite, carne, pele, pelos ou lã. No que diz respeito as fisiológicas a precocidade, rusticidade, vigor e capacidade de adaptação são aspectos importantes a serem avaliados. Já as características morfológicas são visíveis, palpáveis ou mensuráveis, como formato de orelha, cor de pelagem, estatura.

Dentro dos critérios de seleção, o criador, com a orientação de um profissional capacitado, elege quais as características devem ser priorizadas no seu rebanho, para isso informações sobre as raças que podem ser utilizadas são de fundamental importância. Desta forma as estratégias utilizadas em programas de melhoramento de ovinos para produção de carne “se constituem basicamente da definição das metas, do emprego de controle de performance, da estimação do valor genérico, do uso de tecnologias da reprodução na difusão do progresso genético e na conexão entre rebanhos e da organização dos esquemas de acasalamento, de análise e da divulgação dos resultados”.

Porém, também é comum que a escolha da raça a ser criada, seja baseada única e exclusivamente numa questão de preferência morfológica ou de preço. Atualmente, duas raças de ovinos tem se mostrado em evidência no mercado, atraindo a preferência dos criadores, as quais são a Dorper e a Santa Inês.

De maneira geral, estas duas raças apresentam boas respostas produtivas tanto nas características fisiológicas, como no que diz respeito à produção de carne.

Os animais Santa Inês apresentam desempenho um pouco abaixo da raça Dorper, todavia, apresentam resultados satisfatórios em função do sistema utilizado. As crias nascem com um peso entre 3,5-4,0 kg, com relação a média de ganho de peso médio diário no período pré-desmame, pode-se alcançar valores em torno de 200 g/dia, favorecendo um peso a desmama próximo aos 16 kg.

Criados em sistemas intensivos, quando comparados com outras raças, o desempenho dos cordeiros Santa Inês é inferior ao das crias de animais das raças melhoradas para ganho e rendimento de carcaça, mostrando menor proporção de traseiro, menor compacidade de carcaça e menor perímetro de perna.

Entretanto, é uma raça de grande potencial do uso em cruzamentos industriais, principalmente pelo fato de apresentarem características importantes que fazem das fêmeas desta raça, excelentes matrizes, dentre elas estão uma boa habilidade materna se comportarem como poliéstricas contínuas.

Os animais Dorper, em condições brasileiras, consegue proporcionar cordeiros com 35 kg antes do desmame com 90 dias de vida, sendo criados exclusivamente a pasto com creep feeding (suplementação com concentrado). Consegue-se ainda de 50 a 57% de rendimento de carcaça em animais puros e entre 48 e 52% de rendimento de carcaça em cruzados. São animais férteis, apresentando altos índices de parição, quando o manejo nutricional foi bem conduzido. Estes índices podem alcançam patamares de 120%, com três partos a cada dois anos, gerando 2,25 cordeiros por ano.

Todavia, estudos recentes descrevem que esta raça apresenta alta susceptibilidade a uma doença denominada Scrapie. Esta doença pertence a um grupo de doenças neurodegenerativas conhecidas como encefalopatias espongiformes transmissíveis. O grande impacto que esta doença pode causar é o surgimento de entraves na comercialização de carnes obtidas do abate destes animais. Recentemente, alguns casos de Scrapie clássico foram notificados aos órgãos competentes da defesa sanitária, mas oriundos de animais importados. Como animais da raça Dorper estão sendo utilizados para produção de cordeiros destinados ao abate e também em cruzamentos, principalmente com fêmeas da raça Santa Inês, os resultados destas pesquisas deixam uma preocupação para técnicos e criadores.

Ficam então algumas questões: o que fazer daqui por diante? Que raça pode substituir a Dorper em cruzamentos? O que fazer com os rebanhos desta raça que estão há anos, fazendo trabalho de seleção?

Fonte: Portal Dia de Campo

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