O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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04 nov 2015

Setor de reflorestamento busca saídas para evitar a crise econômica

Produtores e empresário reclamam do preço pago pela madeira.

jose-nelsonJosé Nelson Neto trabalha com reflorestamento em União da Vitória. O agricultor acreditava que com a alta do dólar o preço da madeira bruta iria aumentar no mercado. Só que isso não ocorreu. É que com a crise econômica do Brasil, muitas madeireiras fecharam e outras diminuíram a produção. O que aumenta a oferta de matéria-prima. “Esse ano por falta de obras no país, todo mundo foi para o mercado externo”, comenta.

As exportações do setor florestal aumentaram. Na região sul do Paraná, por exemplo, 80% das madeireiras mandam parte da produção para o exterior, principalmente para os Estados Unidos e para a Europa. Só que no exterior o preço pago pelo metro cúbico da madeira também caiu. “O cliente quer pagar menos e o produtor quer entregar pelo preço maior. Então, estamos percebendo por pesquisas que não está sendo possível manter o preço do metro cúbico da madeira, por exemplo, em relação ao ano passado”, diz Ezimar Santos, gerente de unidade do Sesi/Senai.

Este cenário explica porque algumas madeireiras não estão conseguindo aumentar o lucro mesmo exportando mais compensados. As vendas de madeira bruta no país praticamente pararam e mesmo com o crescimento da exportação ainda não é possível suprir toda a oferta. “Hoje não conseguiríamos sobreviver apenas no mercado interno. Apesar de não lucrar como planejávamos, com mercado externo estamos conseguindo pagar as contas”, explica Guilherme Ranssolin, diretor de madeireira.

Fonte: G1

19 fev 2015

Arvores plantadas: o outro lado da moeda em 2015

Em 2013 a agroindústria alcançou receita bruta de R$ 56 bilhões, representando 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) Indústria

floresta_plantadaOs ajustes que começaram a ser anunciados pela equipe econômica neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff apontam para um ano desafiador a todos os setores produtivos brasileiros. Prováveis elevações de impostos e tarifas públicas, cortes de gastos e baixo crescimento devem, pelo menos temporariamente, fragilizar a economia interna, deixando-a mais exposta a oscilações globais, que incluem o dólar forte e a queda nos preços das commodities. Até que os ajustes surtam o efeito desejado, o país perde competitividade, o que reduz o ímpeto dos investidores.

Nesse quadro de incertezas, torna-se fundamental o papel de setores que reúnem condições para atravessar esse período, enfrentar as dificuldades e continuar produzindo resultados satisfatórios e impactos positivos para o país. Entre os setores que surgem como os mais preparados para debelar esse cenário, com base sólida e perspectivas positivas tanto domésticas quanto globais, está a indústria brasileira de árvores plantadas.

Para se ter ideia da representatividade dessa agroindústria, em 2013, o setor alcançou receita bruta de R$ 56 bilhões, representando 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) Industrial. As exportações somaram US$ 7,3 bilhões, o que equivale a 3% das vendas brasileiras ao estrangeiro. Além disso, o setor gera 4,5 milhões de empregos no país, cerca de 4,5% da população economicamente ativa.

Investimentos programados até 2020, para consolidar a presença do setor nos principais mercados mundiais, estão estimados em R$ 53 bilhões. Para que esses projetos aconteçam e viabilizem a necessária expansão da oferta dos diversos produtos da indústria – celulose, papel, painéis de madeira, pisos laminados e biomassa energética, entre outros -, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que representa as 70 empresas e associações estaduais do setor de árvores plantadas, estabeleceu três focos prioritários de atuação em 2015: competitividade, segurança jurídica e incentivos para a economia verde.

A desoneração tributária dos investimentos é o principal pleito do setor visando incrementar a competitividade. Ao contrário do que ocorre em muitos países que são concorrentes diretos por recursos externos, o Brasil ainda tributa investimentos. No caso de nova fábrica de celulose, as alíquotas chegam a 18% do valor do projeto, percentual elevado e capaz de empurrar o investimento para outra parte do mundo, o que torna o debate sobre a desoneração questão prioritária e imediata.

Faz parte dessa discussão a continuidade da desoneração das exportações, que recebeu impulso significativo com o estabelecimento, em caráter permanente, do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra). Considerando-se a forte contribuição da indústria de árvores plantadas para a geração de divisas, nesse momento em que a balança comercial brasileira deixou de ser superavitária, esse detalhe é de especial importância.

Incrementar a competitividade também demanda o combate permanente à concorrência desleal e a eliminação de gargalos de Infraestrutura e Logística, que encarecem custos e operações. O setor atua permanentemente nessas duas áreas, trocando informações e apresentado propostas que buscam ganhos de eficiência e produtividade.

A retomada do debate sobre a aquisição de terras por empresas de capital estrangeiro é outra questão que vem gerando insegurança jurídica e exige atenção imediata. Desde 2010, restrições impostas pelo governo federal têm inviabilizado importantes investimentos no país.

A regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), especialmente quanto aos resíduos pós-consumo de produtos de base florestal, como embalagens de papel e painéis de madeira, também está na agenda prioritária do setor, pois impacta diretamente as operações das empresas. Nessa área, a primazia é a valorização do elevado potencial de absorção de dióxido de carbono (CO2) pelas árvores plantadas, que já é de conhecimento do governo brasileiro. O próximo passo será buscar o reconhecimento dos créditos de carbono na Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e nas negociações internacionais.

O setor vê com otimismo a oportunidade de debater essa agenda com o governo ao longo deste ano, reforçando o potencial das árvores plantadas não só no tocante à economia brasileira, mas também como peça essencial para que o Brasil cumpra o papel como protagonista e referência mundial de desenvolvimento sustentável, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-21, que, em 2015, será realizada em novembro, em Paris, devendo definir um novo acordo internacional para mitigar os efeitos do aquecimento global.

Presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá)

Fonte: Correio Braziliense

05 out 2012

BC fala em calibrar política para manter PIB

O mundo começa a entrar em uma nova fase da crise mundial

O mundo começa a entrar em uma nova fase da crise mundial. Se, de uma lado, os riscos de uma ruptura do sistema financeiro foram minimizados pelas últimas medidas dos bancos centrais e das autoridades europeias, ao mesmo tempo, a perspectiva é de um longo período de “crescimento medíocre” nas principais economias do mundo, sejam elas desenvolvidas ou emergentes.

Esse cenário pessimista em termos de crescimento mundial, traçado ontem pelo diretor da área internacional e de regulação do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, em discurso em São Paulo, exige que a autoridade monetária seja “capaz de calibrar o ponto mais favorável onde se maximizam as chance de crescimento” da economia brasileira, sem comprometer a estabilidade monetária e financeira.

“Apesar de uma redução dos riscos de cauda [evento de ruptura], aumentam ligeiramente – pela persistência do baixo crescimento – os riscos para o ritmo que terá a atividade nos seus polos mais dinâmicos. Dado o impulso acumulado já amplo e efetivo ao nosso crescimento, é importante ser capaz de calibrar o ponto mais favorável onde se maximizam as chances do nosso crescimento continuar a acelerar, minimizando os riscos para a nossa estabilidade monetária e financeira.”

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC divulgou um comunicado que dividiu o mercado. Ao citar que só faria movimentos adicionais de corte de juros com a “máxima parcimônia”, muitos analistas entenderam que o ciclo de queda da taxa de juros, que recuou 5 pontos percentuais desde agosto do ano passado, para 7,5% ao ano, estaria encerrado.

Mas parte dos operadores ainda acredita em novo corte de pelo menos 0,25 ponto percentual na reunião do Copom da próxima semana, visão que pode ganhar força após o discurso de ontem.

O diretor do BC incluiu uma nova palavra-chave que deve chamar a atenção do mercado, ao afirmar que o BC terá que “calibrar” as decisões de política monetária para equilibrar o baixo crescimento mundial com o risco de inflação e estabilidade financeira no Brasil.

Awazu fez questão ainda de reafirmar que o atual choque de commodities mundial que afeta também os preços no Brasil “deve ter efeitos mais amenos e temporários”, quando comparado ao ciclo de 2010/2011. “É provável que estejamos frente a um período de baixo crescimento global mais persistente e mais longo, e com possíveis efeitos negativos sobre os polos mais dinâmicos da recuperação global”.

“O que está talvez surgindo como uma nova questão mais recentemente é o efeito da persistência desse quadro de crescimento medíocre por um período mais prolongado do que originalmente se antecipava, como uma espécie de extensão do Japão pós-bolha”, completou em palestra em evento na BM&FBovespa;, na tarde de ontem, em São Paulo, com a presença do comissário para serviços financeiros da União Europeia, Michel Barnier.

O diretor do BC fez questão ainda de reforçar algumas vezes durante seu discurso que o país mantém o compromisso com o tripé de política econômica adotado há mais de de anos. Segundo ele, a “manutenção do tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e regime de metas para a inflação tem sido capaz de guiar e consolidar a confiança dos agentes, mesmo nas situações excepcionais do mundo de hoje”, afirmou.

As palavras de Awazu parecem direcionadas às críticas que o BC recebe atualmente por sua atuação. Segundo economistas de mercado ouvidos recentemente pelo Valor, a autoridade monetária estaria se mostrando mais preocupada com o crescimento do que com a inflação.

“Ao longo das últimas décadas, desenvolvemos um arcabouço robusto para garantir simultaneamente a nossa estabilidade macroeconômica, inflação na meta, e a nossa estabilidade financeira”, diz Awazu.

Mas ele também destacou a recuperação do crescimento econômico, como tem sido cada vez mais frequente nos últimos discursos do BC, tendo como pano de fundo as atuais medidas do governo federal para ampliar a oferta da economia brasileira.

“O Brasil está bem posicionado, com uma estabilidade macro e financeira consolidada, empenhado em reforçar suas políticas de oferta, de melhora de sua logística, infraestrutura e capital humano para apoiar a sua retomada do crescimento em curso.”

Se a busca pela inflação na meta continua sendo prioridade, o regime de câmbio flutuante também se mantém em plena execução, diz o diretor do BC. Segundo ele, essa não é uma questão de gosto pessoal, mas sim de se valer de um instrumento que se mostrou efetivo para amortecer choques externos.

“A sociedade brasileira se beneficiou do regime de câmbio flutuante. É a primeira linha de defesa para choques externos. Não é uma questão de desejo pessoal. É um instrumento importante para dar robustez ao nosso tripé [de política econômica]”, disse, em resposta a uma pergunta sobre o fato de o governo sistematicamente defender um piso ao redor de R$ 2 para o dólar nas últimas semanas.

Awazu reconheceu que o ambiente internacional hoje é mais “complexo” e, por isso, exige um “gerenciamento” também mais complexo da economia. Mas ele enfatizou que é preciso reconhecer que esse “gerenciamento tem sido bem-sucedido”.

“Ao mesmo tempo que o regime de câmbio flutuante tem a capacidade de eliminar volatilidades excessivas, a necessidade de se preservar o câmbio como amortecedor de choques externos tem sido muito útil ao país.”

A robustez e solidez do sistema financeiro brasileiro foi outro fator determinante para o enfrentamento da crise, disse Awazu. “Nosso sistema financeiro é sólido, com elevados níveis de capital, de cobertura da inadimplência por provisões e de liquidez das carteiras”, diz. Além disso, ele ressaltou que o sistema é resistente a choques, como mostraram os testes de estresse apresentados esta semana no Relatório de Estabilidade Financeira, e a exposição a riscos externos é pequena.

O diretor reafirmou ainda que o arcabouço brasileiro mantém sob uma mesma autoridade o papel de supervisor e de regulador do sistema. “Esse sistema coordenado foi abandonado, mas agora está sendo adotado de novo nos países avançados por ser mais eficiente.”

Por fim, Awazu apontou que o sistema brasileiro ainda tem espaço para mais aprofundamentos. “Nosso sistema tem crescido em tamanho, sofisticação e diversificação, acompanhando o progresso econômico e social do país. Destaca-se ainda o saudável processo de inclusão financeira observado na última década, o que permitiu a expansão do crédito que, não obstante, quando comparado a outras economias, ainda apresenta um baixo patamar em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Tudo isso indica haver espaço para continuar se expandindo de forma sustentável nos próximos anos”, concluiu o diretor do BC.

Fonte: Valor Online

13 jul 2012

Não é a Europa, é a China!

O Brasil está preparado para enfrentar a crise na zona do euro, tem reservas, tem liquidez, pode reduzir os juros porque a inflação recua, tem um mercado financeiro saudável, conta ainda com o potencial do mercado interno, mas está preparado para a desaceleração da China

O Brasil está preparado para enfrentar a crise na zona do euro, tem reservas, tem liquidez, pode reduzir os juros porque a inflação recua, tem um mercado financeiro saudável, conta ainda com o potencial do mercado interno, mas está preparado para a desaceleração da China. E aumentam os sinais de que o PIB chinês não deve passar de 7,5% este ano. Muitos analistas falam no comércio entre os dois países, com a China importando menos, mesmo assim, ainda comprando commodities, petróleo, minério de ferro, soja. Além disso, argumentam, o comércio entre os dois países – importação e exportação -, hoje de US$ 37,2 bilhões, continua vigoroso. Cresceu 7% no primeiro semestre do ano, sobre igual período de 2011. É verdade que as importações da China aumentaram 9% enquanto as exportações apenas 6%, mas o Brasil ainda acumula um superávit de US$ 5,1 bilhões no semestre.

Medo de quê? Sim, se a China continua sendo um dos maiores e mais vigorosos mercados do Brasil, onde está o problema? Aqui, um aspecto para o qual poucos atentam. A China não está importando menos do Brasil ou algo parecido, está crescendo menos e importando menos do mundo, Ou seja, dos nossos parceiros comerciais – Estados Unidos, Europa – e nem falamos do espaço que ela está roubando dos produtos brasileiros na Argentina e no mercado mundial. A China é, com os Estados Unidos, o maior importadora mundial, em torno de US$ 2 trilhões por ano; representa cerca de 16% do comércio mundial. Seus principais parceiros são Estados Unidos, União Europeia e Japão – em recessão, ou crescendo não mais que 1,5%.

E os números divulgados esta semana em Pequim mostram que a economia chinesa está crescendo menos; o FMI estima 7,5%, o governo fala em 8,0%. E um crescimento sustentado pelo setor imobiliário onde surgem nítidos sinais de superaquecimento e especulação. Uma pesquisa feita na China mostra que 1 entre 5 pessoas compraram dois imóveis. Já se viu isso nos Estados Unidos e, agora, na Espanha. Esses mesmos indicadores informam que os investimentos representam 49% do PIB, em obras do governo, sim, mas a maior parte no setor imobiliário. Desde 2010, o governo procurou desestimular as compras especulativas, aumentou em 60% a entrada para adquirir um segundo imóvel, mas dá sinais de estar recuando. O consumo interno, que representa 35% do PIB chinês, não está reagindo e a saída encontrada pelo governo é forçar o aumento das exportações, importar menos e intensificar a compra de produtos nacionais.

E é isso que os números do comércio exterior chinês confirmam. As exportações chinesas aumentaram 11,3% em junho e as importações apenas 6,3%. E isso ocorreu em todos os setores, não apenas de commodities. A China voltou a usar o câmbio. “O ritmo no crescimento do comércio na segunda economia do mundo recuou para o nível mais baixo desde a crise global de 2008. Como a demanda interna não reagiu aos estímulos ainda indefinidos do governo, pode-se esperar mais pressão sobre o mercado externo”, afirma Alister Cham, da Moodys Analistic.

“A desaceleração das importações chinesas foi maior do que se esperava”, e se espera mais porque há nítidos sinais de que a economia chinesa não deve reagir este ano. Haverá mais protecionismo e mais pressão sobre o mercado externo. Só que será difícil encontrar mais espaço nos Estados Unidos ou Europa, que representam quase 50% das exportações chinesas. Restam os outros países. Nós.

Comércio encolhe. O que a OMC e a Unctad (Agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento) estão prevendo é uma forte desaceleração do comércio mundial, que deve crescer menos de 3,7% depois de haver aumentado apenas 5% no ano passado e 13% em 2010.

Não é só isso. Mas os indicadores da China não mostram apenas uma retração do comércio mundial; afinal, isso poderia ser compensado pelos outros países com maior incentivo à demanda interna e aos investimentos. É muito mais. O que a China confirma é a desaceleração da economia mundial que, já se prevê, não deve crescer muito mais de 3% este ano. Não há mercado externo, não há incentivos internos nos países que representam quase 60% do PIB mundial. Um cenário inquietante e desanimador no qual o Brasil tenta, mas ainda não se ajustou. Não é a Europa, a zona do euro. É tudo. É a economia mundial que está parando.

Fonte: O Estado de S. Paulo
24 maio 2012

Governo estuda mais quatro medidas anticrise

Mais quatro medidas estão sendo estudadas pelo governo para destravar o crédito e estimular a retomada da economia

Mais quatro medidas estão sendo estudadas pelo governo para destravar o crédito e estimular a retomada da economia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, revelou ontem, durante audiência pública no Senado, que avalia a isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na portabilidade do crédito habitacional e um mecanismo que ajude a reestruturação da inadimplência bancária.

Além disso, o governo analisa a ampliação do crédito e redução de custo para o financiamento de motos e a desoneração da Cofins e da PIS pagas pelas companhias de saneamento básico.

Os senadores quiseram saber o que o mutuário poderia fazer para renegociar um empréstimo habitacional contratado antes da atual queda da Selic, com prazo de 15 a 20 anos e taxa de juro elevada para os padrões atuais. Em resposta, Mantega informou que o governo está trabalhando para implantar a portabilidade do crédito, o que permitiria ao mutuário transferir a sua dívida para outro banco que apresentasse condições mais favoráveis de pagamento.

Essa operação, segundo o ministro, seria feita sem o pagamento do IOF ou de qualquer outra taxa. “Sem nenhuma penalização”, afirmou. Atualmente, os bancos cobram elevadas taxas para permitir a transferência dos débitos. Com as novas regras, Mantega acredita que o próprio banco credor do mutuário terá interesse em renegociar as condições do financiamento. “Eles estarão pressionados a fazer a mudança, pois senão perderão o cliente”, observou.

No caso da inadimplência bancária, o ministro da Fazenda informou que a ideia do governo é evitar que no momento da reestruturação da dívida antiga sejam cobrados os tributos devidos. A lei 12.431 tipifica a reestruturação como uma nova operação de crédito e, assim, obriga a cobrança dos impostos. Abre exceção apenas para as renegociações de valores de até R$ 30 mil para pessoas físicas e no crédito rural. Nesses casos, os mutuários recebem um benefício fiscal e passam a pagar os tributos apenas ao final da operação. A proposta em discussão no governo é de ampliação desse teto de R$ 30 mil.

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), perguntou ao ministro porque as motos não tinham sido incluídas no pacote de estímulo desta semana, que beneficiou a indústria automobilística. Braga lembrou que a indústria de motos da Zona Franca de Manaus já opera com grandes estoques e que a ampliação do crédito e a ampliação dos prazos dos financiamentos ajudaria a ativar o setor. Mantega revelou que a medida está sendo estudada pelo governo e poderá ser anunciada em breve.

O ministro admitiu também que está estudando a desoneração do PIS/Cofins às empresas de saneamento básico, mas negou que haja uma decisão fechada. Ele explicou que o principal obstáculo à medida é o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que obriga o governo a adotar medidas de compensação para a desoneração do PIS/Cofins. O ministro disse que, de acordo com a LRF, essa compensação implica elevação de alíquota de outros tributos ou a criação de novo imposto. Um eventual corte no PIS/Cofins não pode nem ser compensado por meio do excesso de arrecadação.

Fonte: Valor Online

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