O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
34 9.9147-9310
Seg - Sex: 08:00 - 18:00
22 mar 2016

El Niño enfraquece no outono, mas frio intenso e geada marcarão estação

Instabilidade climática deixa agricultores paranaenses apreensivos. Especialista recomenda que produtores respeitem zoneamento agrícola

frio-intensoO verão foi marcado por chuvas acima da média. O El Niño, fenômeno climático responsável pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, gerou muitos transtornos aos agricultores paranaenses nos últimos quatro meses. Com a mudança de estação, especialistas acreditam que o El Niño vai enfraquecer. No entanto, o outono será marcado pelo frio intenso e geadas.

Preocupado, o agricultor Willem Bouwman não deixa de calcular. A safra da soja, em novembro de 2015, atrasou devido ao excesso de chuva, e como consequência a semeadura só ocorreu vinte dias depois do previsto. Não bastesse isso, os índices de produtividade apontaram queda de 15% a 20% da produtividade, em comparação com a safra anterior. Com a entrada da nova estação, o agricultor não esconde a preocupação.

“Estou preocupado por três fatores. Houve atraso no plantio, foi um ano muito difícil para controlarmos a ferrugem, doença que dizima a cultura em um período muito curto, e como último fator aponto a perda da qualidade do grão da soja”, relata Bouwman.

A estação será marcada por dias nublados e muita umidade. “Estamos vindo de dois invernos, duas safras de inverno, onde tínhamos cenário de El Niño sem tanta presença do frio, de ocorrências de geadas. Alertamos os produtores sobre a volta do frio e, sobre a possibilidade de ocorrência de mais geadas nessa safra”, explica o agrometeorologista José Prestes Neto.

Para o agrometeorologista, os produtores devem programar as culturas de inverno, como aveia e trigo, conforme o plano de zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura. O programa prevê datas específicas para a semeadura já considerando as condições climáticas.

“Acreditamos que esse ano o produtor não terá tanta dificuldade em controlar doenças e também na colheita. Ano passado os produtores sofreram na colheita do trigo devido ao excesso de chuva no período. Este ano, a colheita deve ser mais tranquila com a neutralidade do El Niño”, diz.

Além disso, os agricultores continuam contando com uma ‘santa’ ajuda. “O agricultor precisa fazer a sua parte, o resto depende do clima.  Esperamos que em 2016 tenhamos um ano mais normal”, comenta o produtor Willem Bouwman.

Fonte: G1

09 mar 2016

Integração Lavoura, Pecuária e Floresta reduz impacto nas mudanças climáticas

Os dados do estudo mostram os possíveis riscos do aquecimento global se a temperatura subir entre 3°C e 4°C

ILPF é um modelo eficiente de combate ao efeito estufa
ILPF é um modelo eficiente de combate ao efeito estufa

Plantio direto, Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) para recuperação de pastagens degradadas. Esses são alguns exemplos de técnicas sustentáveis, utilizadas no Brasil, que têm minimizado a emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera. O estudo “Riscos de Mudanças Climáticas no Brasil e Limites à Adaptação”, divulgado nessa quarta-feira, 2, pelo Centro de Monitoramento de Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com a Embaixada do Reino Unido no Brasil, revela que, no ano de 2100, o aquecimento global pode chegar ao limite de 4° Celsius em relação à era pré-industrial e trará riscos significativos à agricultura, saúde e biodiversidade.

Os impactos das mudanças climáticas são estimados para um cenário futuro em que os países não cumpriram as meta para reduzir a emissão de gases e amenizar o aquecimento global. Entretanto, de acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad, o Brasil utiliza técnicas sustentáveis, como produção de sementes mais resistentes à seca e sistemas de conservação e restauração, reconhecidos pelo Programa Agricultura de Baixo de Carbono (ABC), que vão ajudar o país a sofrer menos as consequências das mudanças climáticas. “O cenário preocupa, mas o país tem condições de continuar como grande produtor mundial de alimentos”.

Os dados do estudo mostram os possíveis riscos do aquecimento global se a temperatura subir entre 3°C e 4°C. Na agricultura, por exemplo, o risco aumenta substancialmente em função das altas temperaturas e deficiência hídrica. Haveria uma redução das áreas de baixo risco para as plantações de milho, feijão e arroz. A cultura do feijão seria afetada com perda de 57% das áreas de baixo risco. Segundo o estudo, “em termos nacionais, a tendência é que as lavouras afetadas migrem para o norte do Estado de Mato Grosso. Entretanto, cultivares com alta tolerância a seca e deficiência hídrica serão lançadas no mercado e sistemas de produção mais sustentáveis serão adotados. Isso poderá minimizar os efeitos do aquecimento global”.

O climatologista e presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carlos Nobre, defendeu que a análise das consequências atuais e futuras de elevação da temperatura em 4°C é um aspecto crucial para a agricultura brasileira, já que ela é afetada pelo aumento da concentração de Dióxido de Carbono (CO2). “O estudo é um alerta para o nosso país e para o mundo. A notícia boa é que além das técnicas utilizadas na agricultura, o Brasil é protagonista quando o assunto é negociação climática”, afirmou o presidente da Capes.

Para o coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias Filho, o país sentirá os efeitos do clima, mas se comprometeu, na 21ª Conferência do Clima (COP 21), em Paris, a desenvolver políticas públicas de reflorestamento, reduzir os custos de financiamento às atividades sustentáveis de produção e mais investimentos em ciência e tecnologia. “Minimizar os riscos significa formular políticas públicas que priorizem a mitigação”, concluiu Nelson.

Fonte: CNA

toc dep | giam can nhanh