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23 out 2012

Inflação acelera e antecipa dilema da política econômica

A inflação, medida pelo IPCA-15, voltou a crescer. Avançou 0,65% em outubro, surpreendendo tanto o mercado quanto o BC, que apostavam numa inflação mais comportada neste mês

A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), voltou a crescer. Avançou 0,65% em outubro, surpreendendo tanto o mercado quanto o Banco Central (BC), que apostavam numa inflação mais comportada neste mês. No acumulado de 2012, o IPCA-15 atingiu, faltando dois meses para terminar o ano, a meta oficial fixada pelo governo – 4,49%. Nos 12 meses até outubro, chegou a 5,56%.

O IPCA-15 é importante porque funciona como “proxy” da inflação no mês. O resultado de outubro comprova que a economia brasileira está, desde julho, em processo de aceleração inflacionária. Depois de cair a 5% nos 12 meses acumulados até junho, vindo de uma inflação de 6,44% em janeiro, desde então o indicador não parou mais de subir.

Há uma explicação preponderante para a alta dos preços nos últimos meses. A quebra da safra agrícola nos principais países produtores forçou uma alta expressiva dos preços de alguns produtos. No Brasil, os preços dos itens in natura subiram de forma significativa, puxados pelos preços internacionais e pela quebra das safras de arroz e feijão.

A alta dos preços de alimentos respondeu, segundo o IBGE, por 57% do IPCA-15 de outubro. O indicador mostra que o grupo alimentação e bebidas, que tem grande peso na inflação brasileira, saltou de 1,08% em setembro para 1,56% em outubro. O preço do arroz subiu 11,91% e o das carnes, 2,92%.

Trata-se, portanto, de um típico choque de oferta. O problema é que os números do IPCA-15 mostram que a inflação de produtos não alimentícios também está acelerando. De setembro para outubro, a alta desses preços pulou de 0,30% para 0,37%, com destaque para energia elétrica (0,67%), taxa de água e esgoto (1,32%), artigos de limpeza (0,55%) e artigos de higiene pessoal (0,66%). Entre as nove classes de despesa usadas no cálculo do IPCA-15, houve elevações de preços em sete.

Economistas do Itaú Unibanco constataram que os núcleos de inflação, que retiram do cálculo efeitos temporários e os itens mais voláteis, também aceleraram fortemente em outubro. O índice de difusão, que mede a proporção de produtos com variação positiva de preços, atingiu 66% em outubro. Sem dúvida, as notícias não são nada boas.

Principal responsável pela política de combate à inflação, o Banco Central foi desmentido pelos fatos. A instituição, segundo apurou o Valor, acreditava que o pico do choque de preços em curso tinha ocorrido em setembro. Em outubro a inflação cederia, retomando a trajetória em direção à meta de 4,5%. Como isso não está ocorrendo, 2012 será mais um ano, o terceiro consecutivo, em que o IPCA não ficará na meta ou abaixo dela.

O governo acredita que dará contribuição importante para conter a escalada dos preços nos próximos meses. Em janeiro, 25 setores da economia terão a folha de pessoal desonerada. Além disso, a partir de janeiro as tarifas de energia terão redução média de 20,2%, sendo 16% para residências e até 28% para indústrias.

Brasília pretende atuar, ainda, no convencimento de prefeitos de capitais importantes para moderar os reajustes de tarifas de ônibus em 2013. O objetivo é diluir os aumentos ao longo do tempo. No setor de combustíveis, é praticamente certo que o governo não obrigará mais a Petrobras a segurar a elevação dos preços, mas, mesmo nesse caso, a ideia é adotar medida que reduza o impacto das correções nos preços finais.

A preocupação do governo é evitar que a inflação obrigue o Banco Central a elevar a taxa básica de juros (Selic) em 2013. O próprio BC indicou que manterá a Selic estável em 7,25% ao ano “por um período de tempo suficientemente prolongado”. É certo, porém, que só conseguirá cumprir a promessa se o IPCA voltar a entrar em trajetória de queda.

Em entrevista ao Valor, o economista Mário Mesquita, que foi diretor do BC entre 2006 e 2010, fez uma advertência importante. Segundo ele, se quiser impedir o aumento da inflação em 2013, ano em que ele acredita que a economia pode crescer mais de 4%, o BC terá que deixar a taxa de câmbio flutuar, para auxiliar a política de combate à inflação. Do contrário, prevê Mesquita, a autoridade monetária será forçada a elevar os juros.

Será que o governo está disposto a aceitar a apreciação do real frente ao dólar? Provavelmente, não. Duas das principais autoridades econômicas – o ministro Guido Mantega e o secretário Nelson Barbosa – declararam que, daqui em diante, o câmbio no Brasil só flutuará para cima.

Fonte: Valor Online
17 jul 2012

O reajuste do diesel e a inflação de 2013

O governo decidiu aumentar em 6% os preços do diesel nas refinarias, a partir de amanhã

O governo decidiu aumentar em 6% os preços do diesel nas refinarias, a partir de amanhã. Aproveitou, assim, a fase de baixa pressão inflacionária para favorecer o caixa da Petrobrás e reduzir a defasagem entre os preços externos e internos – de 23% para 18%, calcula Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). A correção se justifica, mas, sendo o diesel um insumo essencial, haverá provável repercussão na inflação, principalmente em 2013, quando as estimativas são piores.

Os preços dos combustíveis recebidos pela Petrobrás têm sido corrigidos a conta-gotas, evitando-se o repasse dos aumentos para o consumidor. Há 20 dias, foi eliminada a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e a estatal passou a receber mais 7,83% pela gasolina e 3,94% pelo diesel entregues às distribuidoras. Agora, com o repasse ao consumidor, o diesel poderá custar mais 4% nas bombas, estima a Petrobrás, ou mais 6%, segundo o sindicato dos postos (Sincopetro).

O diesel terá modesto impacto direto na inflação oficial (IPCA), segundo analistas. Por elevar o custo do transporte urbano e de carga, o impacto indireto será maior nos IGPs. É inevitável que o aumento do diesel tenha alguma repercussão negativa sobre o custo de vida e sobre alguns setores da atividade econômica.

Pagando mais caro pelo petróleo e pelos combustíveis importados, mas mantendo inalterados os preços internos, o governo concedia um subsídio indireto aos consumidores à custa da Petrobrás e de seus acionistas. O benefício será menor agora, o que provocou imediata repercussão sobre as cotações das ações da estatal em bolsa.

O petróleo e derivados estão entre os itens que mais pressionam a balança comercial. Entre janeiro e maio, o déficit por eles gerado foi de quase US$ 7,4 bilhões. As importações de diesel aumentaram de 105 mil barris/dia, nos primeiros cinco meses de 2011, para 145 mil barris/dia, no mesmo período deste ano. Mas como não é possível, nem a curto nem a médio prazos, reduzir o peso do diesel na economia, não se deve esperar que a alta provoque queda do consumo nem impacto na balança comercial.

De fato, pouco poderá ser feito até que avance o programa de refinarias da Petrobrás, sem data para conclusão. A primeira das refinarias previstas é a Abreu e Lima, na qual 65% da produção será de diesel, prevendo-se que atenda a 20% da demanda. Até lá, dadas as necessidades de capital, a estatal deverá continuar defendendo a política de mais reajustes.

Fonte: O Estado de S. Paulo
21 mar 2012

Mercado vê inflação de 6% até 2016

A inflação brasileira deve girar em torno de 6% ao ano, pelos próximos cinco anos

A inflação brasileira deve girar em torno de 6% ao ano, pelos próximos cinco anos. O dado foi extraído pelo economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, das taxas de remuneração dos títulos do governo negociados no mercado. Já o economista projeta uma taxa um pouco menor, em torno de 5,5%.

“Não vai ser nada explosivo, mas é alto”, afirmou Goldfajn. Ele atribui a resistência da inflação num nível superior ao centro da meta de 4,5% nos próximos anos aos problemas de infraestrutura, aos preços pressionados dos serviços e ao mercado de trabalho, que continua aquecido, apesar da forte desaceleração da atividade registrada no ano passado e primeiro trimestre deste ano.

Ontem, durante o seminário “O quebra-cabeça do emprego no Brasil”, promovido pelo Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, Goldfajn disse que há duas hipóteses para explicar por que a taxa de desemprego continua baixa, mesmo com a economia em desaceleração.

O primeiro fator é o envelhecimento da população. “Com mais gente para produzir, a tendência é que a taxa de desemprego caia.” Nas contas de Goldfajn, a mudança no perfil demográfico provoca uma redução de 1 ponto porcentual na taxa de desemprego de equilíbrio, aquela que não tem impactos inflacionários.

O segundo fator é que as empresas, diante dos elevados custos de demissão, estão fazendo uma espécie de “poupança” de trabalhadores, esperando a reaceleração da economia no segundo semestre deste ano. “Acredito que os dois fatores estejam acontecendo”, disse Goldfajn. Ele calcula que a economia volte a crescer num ritmo de 5% no segundo semestre. No ano, no entanto, por causa da baixa taxa de crescimento do primeiro semestre, a alta do PIB será de 3,5%.

O economista espera que os juros básicos, hoje em 9,75% ao ano, sejam reduzidos para 9% na próxima reunião do Copom. Após essa queda, ele avalia que os juros ficarão estáveis até 2013, quando a inflação deve voltar a subir e será necessário elevar a Selic de novo.

Goldfajn observou que a hipótese de que esteja ocorrendo uma “poupança” de trabalhadores por parte das empresas agrada ao governo porque, assim, a reaceleração da atividade não teria impactos inflacionários.

Para Alexandre de Freitas Barbosa, professor de História Econômica do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, o Brasil continua com excedente de mão de obra. “Boa parte desses trabalhadores não se adequam à atividade.” Segundo ele, a taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis regiões metropolitanas do País capta, no máximo, um terço do excedente do mercado de trabalho.

O economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, ressaltou que o impacto do mercado de trabalho na inflação é bastante reduzido. “É claro que a economia aquecida provoca elevação dos salários reais.” Mas, como o nível salarial no Brasil é muito baixo, explicou Lacerda, e há mudanças na estrutura da economia, ele não vê descasamento entre aumento salarial e os ganhos de produtividade.

Já Norman Gall, diretor executivo do Instituto Fernand Braudel, está cético em relação ao desempenho do País no próximos anos. “Estive na China recentemente e a palavra de ordem lá é que o modelo atual é insustentável. Aqui no Brasil não se fala em insustentabilidade”, afirmou. Para ele, alto nível de emprego com baixa produtividade, ainda que não se fale, é um modelo insustentável. “O País está surfando na onda dos recursos naturais, mas esse tempo é curto.”

Fonte: O Estado de S. Paulo