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07 ago 2012

Investimento em logística para alavancar o agronegócio

Impressionado com os números do agronegócio brasileiro, o goveno vai anunciar, nas próximas semanas, grandes investimentos em logística voltada, especialmente, para facilitar a movimentação dos produtos agropecuários

Impressionado com os números do agronegócio brasileiro, que em 2011 representará 22,15% do Produto Interno Bruto e alcançará um superávit comercial de US$ 77,5 bilhões, e com a necessidade de manter o crescimento econômico do País, o goveno brasileiro vai anunciar, nas próximas semanas, grandes investimentos em logística voltada, especialmente, para facilitar a movimentação dos produtos agropecuários brasileiros. A informação foi apresentada, ontem, em São Paulo, pelo presidente do Bndes, Luciano Coutinho, ao fazer uma palestra no 11º Congresso Brasileiro do Agronegócio, mostrando como o governo vê o setor e sua importância e quais as medidas que pretende adotar para incentivá-lo a crescer ainda mais.

Investimento II

“Pensando nos próximos 10 ou 20 anos” – disse Coutinho – “vamos estruturar uma logística integrada para garantir ao agronegócio brasileiro um novo salto de produtividade e competitividade. A presidente Dilma vai anunciar investimentos em todos os segmentos de logística: rodoferroviário, portuário e hidroviário. O mercado interno de consumo está em grande crescimento, e a demanda internacional de alimentos e de energia vai crescer, o que exigirá do Brasil maior produção agropecuária.”

Investimento III

Luciano Coutinho exemplificou que, no mercado interno, em que a emergente classe C já representa 55% da população (com 105,5 milhões de habitantes), seguida das classes D e E (com 63,6 milhões de habitantes), aumenta a demanda por produtos. Segundo ele, não será difícil atender à necessidade de alimentos e de energia, no País e no mundo, porque “o agronegócio brasileiro já deu um verdadeiro show de produtividade, pois, nos últimos quatro ou cinco anos, a área plantada se mantém estável, no mesmo tamanho, e a produção cresceu enormemente”. Para Coutinho, um economista especializado na área industrial, “poucos setores brasileiros alcançam produtividade de 4,5%, o que é comum no agronegócio”.

Fonte: Jornal do Correio
16 jan 2012

Logística e transporte – infraestrutura planejada

Apesar da crise mundial, já se configura para o Brasil um novo ciclo de desenvolvimento econômico relacionado, simultaneamente, à ampliação do mercado interno e à inserção mais profunda da moderna agricultura e da indústria no mercado internacional

Apesar da crise mundial, já se configura para o Brasil um novo ciclo de desenvolvimento econômico relacionado, simultaneamente, à ampliação do mercado interno e à inserção mais profunda da moderna agricultura e da indústria no mercado internacional. Essa nova dinâmica engloba as atividades agrícolas industrializadas (grande escala e elevada produtividade), as indústrias convencionais, mas, sobretudo, as atividades industriais e de serviços associadas a tecnologias de ponta. O suporte dos transportes, em particular, e da logística – em seu sentido mais amplo – ao novo ciclo estará vinculado essencialmente à competitividade e ao barateamento da produção nacional, tanto internamente quanto no acesso aos mercados consumidores externos.

Nesse sentido, as estratégias, o planejamento e a política de transportes não se pautarão mais pela alternância de ênfase nas rodovias ou ferrovias nem pela simples correção dos desequilíbrios na matriz dos transportes, conferindo prioridade aos modais não rodoviários. Planejamento, políticas públicas e regulação deverão tornar o sistema de transporte funcionalmente mais adequado às exigências dos setores produtivos, pela incorporação, em grande escala, das transformações ocorridas nos países desenvolvidos, especialmente no que se refere ao transporte multimodal.

É importante ter presente que, se o modal ferroviário deu suporte ao longo ciclo de desenvolvimento baseado na exportação de produtos primários (1880-1930) e o rodoviário ao igualmente longo período da consolidação de complexa economia urbano-industrial (1930-1980), competirá às cadeias logísticas multimodais dar suporte ao próximo ciclo, no longo prazo. Este será baseado nos expressivos aumentos de escalas no mercado interno, na nova inserção do Brasil na economia mundial e na maior agregação de valor e competitividade das exportações. A incorporação progressiva de grandes massas de consumidores ao mercado interno exigirá do transporte multimodal substancial redução dos custos, tanto dos alimentos e bens industriais para as populações urbanas e metropolitanas quanto dos insumos para agricultura, indústria e serviços.

É preciso atentar, ainda, para o fato de que os corredores regionalizados – com fluxos concentrados e especializados de granéis ou carga geral unitizada – serão competitivos entre si. Ou seja, cadeias logísticas de abastecimento e escoamento optarão pelos corredores e pelas alternativas de portos de embarque em função das conveniências de custo. Os usuários incorporarão, de forma crescente, a perspectiva de opção entre logísticas alternativas e mais competitivas. As regiões que melhor estruturarem seus sistemas de transporte com iniciativas e investimentos sinérgicos conseguirão atrair mais cargas e decisões de instalar empresas. Prevalecerão polos ou complexos de beneficiamento agrícola, de transformação industrial ou de processamento para exportações com componentes importados.

Abrem-se, pois, possibilidades excepcionais para a ampliação do escopo das concessões ligadas à exploração privada das infraestruturas, bem como de parcerias público-privadas. O problema, evidentemente, é o da garantia de segurança jurídica e estabilidade de regras para atração do capital privado, especialmente o de origem externa em busca de boas oportunidades que garantam retorno de longo prazo. Importante, ainda, será a postura mais firme do governo quanto à decisão de bem acolher o aporte privado de recursos. Claro que prioridades inconsistentes e mal definidas, assim como a ênfase em projetos megalômanos e de retorno duvidoso, criarão dúvidas nos investidores, postergando decisões mais urgentes para o País no curto prazo.

O planejamento, portanto, não poderá deixar de compreender o papel deste segmento infraestrutural no novo ciclo de desenvolvimento e deverá evoluir para formas mais cooperativas e complementares de participação dos níveis de governo, sociedade e iniciativa privada. A maior funcionalidade dos sistemas de logística e transporte e o seu efetivo suporte ao desenvolvimento resultarão, na verdade, das possibilidades de repartir tarefas e responsabilidades entre múltiplos agentes públicos e privados, em torno de objetivos comuns. Importará na redução de custos e melhoria dos serviços para os usuários.

A degradação de boa parte das infraestruturas nas últimas décadas criou estrangulamentos à atividade econômica e obstáculos ao crescimento. Ao mesmo tempo, o acúmulo de deficiências na gestão pública faz sentir até hoje a ausência de planejamento consistente de longo prazo, bem como de políticas mais abrangentes. Está aberta a oportunidade de ter uma visão mais contemporânea dos transportes, que incorpore as modernas concepções de logísticas de escoamento e abastecimento, fundamentadas nas vantagens competitivas dos diversos modais e consubstanciadas em facilidades para o transporte multimodal. Ou seja, superar a visão mesquinha da “obra”, para galgar o estágio mais avançado de “sistema”.

Josef Barat – Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Fecomércio, foi Diretor da Anac

Fonte: O Estado de S. Paulo
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