O tamanho do seu projeto, não muda o tamanho da nossa dedicação.
34 9.9147-9310
Seg - Sex: 08:00 - 18:00
31 jan 2013

Técnicas simples melhoram a produção de caprinos no Semiárido

Pequenas mudanças de práticas na criação de caprinos podem apresentar bons resultados para os produtores do sertão do Nordeste

caprino-semiaridoUm estudo realizado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Petrolina (PE), mostra que a adoção de algumas técnicas simples permitem melhores desempenhos produtivos dos animais, o que implica em maior rentabilidade da atividade.

Os experimentos estão sendo conduzido pelo pesquisador da Embrapa Semiárido Tadeu Vinhas Voltolini e pelo médico veterinário Jair Campos Soares, mestrando em Ciência Animal pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O foco do sistema de produção analisado é a alimentação e o manejo dos animais.

Tradicionalmente na região, a criação de caprinos é praticada de forma extensiva, com a alimentação baseada exclusivamente na vegetação nativa da Caatinga. Segundo os pesquisadores, esta base alimentar é insuficiente tanto em termos de quantidade quanto de qualidade, e a perda de peso provocada especialmente no período da seca compromete o desempenho reprodutivo das fêmeas e o peso das suas crias.

Já no sistema de criação proposto na pesquisa, utiliza-se uma combinação da vegetação nativa e reserva de forragens. “Quando está verde, criamos o rebanho na Caatinga – sem exceder a quantidade de animais alimentados com essa vegetação –, e quando está seco usamos outras estratégias para a alimentação, como a palma, o capim bufel, a pornunça, a maniçoba e a melancia forrageira, a maioria sendo conservada na forma de feno e silagem”, explica Tadeu Voltolini.

Quanto ao manejo dos animais, uma das principais técnicas adotadas é a estação de monta, em que os machos são mantidos separados do rebanho, e colocados junto às fêmeas somente no período programado para a reprodução. Dessa forma, o nascimento, o desmame e a engorda dos animais podem ser planejados, dando atenção a cada uma dessas atividades – o que representa melhor manejo dos animais em associação com a otimização da mão-de-obra da propriedade.

De acordo com Jair Soares, nesse sistema de produção, o índice de mortalidade das crias foi de apenas 5%, número considerado baixo quando comparado ao sistema tradicional de criação extensiva, que chega a ser superior a 30%. Além disso, a fertilidade das fêmeas alcançou 75%, valor bastante superior ao normalmente encontrado na região. “Com uma alimentação e manejo adequados, a eficiência reprodutiva dos animais aumenta”, explica o veterinário.

Para o pesquisador Tadeu Voltolini, esses são resultados que vão levar a propriedade a ter um melhor retorno econômico. Os dados da pesquisa foram obtidos no ano de 2012, marcado pela maior estiagem das últimas décadas no Nordeste. “Isso mostra que mesmo em um período de seca, técnicas simples fazem grande diferença em um sistema de produção”, avalia.

Fonte: Rural Centro
29 nov 2012

Silagem com cereais de inverno

Silagem de planta inteira, pré-secada ou de grãos úmidos são possibilidades de uso para os cereais de inverno

As pastagens são base da alimentação animal na produção pecuária do Sul do país. Na época de escassez de pasto, a alternativa é suprir o cocho com forragens armazenadas em forma de silagem, evitando o uso de grãos e outros suplementos que podem aumentar o custo de produção em até quatro vezes. A Embrapa Trigo orienta sobre as vantagens no uso de cereais de inverno para produzir silagem de baixo custo.

Silagens são forragens úmidas, conservadas em ambiente anaeróbicos, que formam um alimento energético para suplementação alimentar de ruminantes domésticos, como bovinos e ovinos.  Os cereais de inverno como aveia, cevada, triticale, trigo duplo propósito e centeio podem ser armazenados em forma de silagem para suplementação dos animais nos períodos críticos, quando não há pasto, ou após vários dias consecutivos de chuva que impedem a entrada do rebanho nos piquetes.

Silagem com cereais de inverno é opção de alimentação a baixo custo para o rebanh

 

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), Renato Fontaneli, o produtor está acostumado a fazer silagem de milho como fonte de energia para os animais. Contudo, o milho concorre com a valorização da cotação da soja e acaba restando pouco espaço para o milho no verão, ao passo que no inverno grande parte das áreas produtivas ficam ociosas. Utilizar os cereais de inverno nestas áreas e guardar parte do pasto em forma de silagem é fonte garantida de proteínas ao rebanho, associada ao pastejo e à adição de ração animal.

“Os cereais de inverno podem ser ensilados, podendo se usar como silagem de planta inteira, pré-secada ou de grãos úmidos. Duas características são consideradas na escolha de uma espécie e cultivar: potencial de rendimento de biomassa seca e valor nutritivo”, explica Fontaneli, lembrando que além das vantagens na utilização integral da área produtiva, a silagem garante volumoso aos animais, já que os ruminantes precisam de forragem para produzir leite.

Nas propriedades de agricultura familiar, a silagem costuma ser utilizada como complemento na alimentação do gado de leite., onde corresponde a um terço da dieta de uma vaca mediana ou altamente produtiva, que tem produção de 20 a 30 litros de leite/dia. Para atender esta demanda, a Embrapa Trigo desenvolveu a variedade de trigo BRS Umbu, especialmente destinada à fabricação de silagem. Como essa variedade não tem aristas – aqueles fiapos que saem da ponta das sementes de trigo – fica mais fácil para o animal consumi-lo.

Fonte: Dia de Campo
28 ago 2012

Nova braquiária vem aí e foco é Integração Lavoura-Pecuária

Material chega ao mercado só no ano que vem trazendo bom rendimento e produtividade, além de características interessantes ao sistema de integração

Ainda em fase de testes a campo, nova variedade de braquiária gerou 2,5 vezes mais ganho cabeça/dia e dobrou a taxa de lotação na seca comparada à BRS Piatã, que por sua vez, já é melhor do que Marandu e Xaraés na seca. No cômputo anual, a B6 (como é chamado o material que ainda não possui nome comercial) deu 20% a mais de ganho médio diário (kg/animal/dia) comparado a Piatã na média de três anos.

A forrageira que só chega ao mercado ano que vem, apresenta características muito propícias ao emprego no sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP). Dentre elas, pouca competitividade com outras culturas, um bom comportamento com sombreamento e ampla cobertura de solo em função da ausência de perfilhamento aéreo. Os testes em áreas com floresta ainda estão sendo feitos.

De acordo com a pesquisadora e melhorista da Embrapa Gado de Corte, Cacilda Borges, responsável pela coordenação dos trabalhos que conduziram à B6 (ouça a entrevista com todos os detalhes da nova braquiária), o manejo é parecido com a Marandu, portanto mais fácil do que Xaraés.

“A B6 é plástica, adaptando-se a diferentes alturas de pastejo entre 15 e 30 cm (altura recomendada é os 30 cm para pastejo contínuo, como para Marandu e Piatã) e cobrindo muito bem o solo pelo forte perfilhamento que exibe; o que chama mais atenção é o desempenho na seca: maior disponibilidade de matéria verde, maior capacidade de suporte e maior ganho de peso do que a Piatã (média de 3 anos de avaliação)”, destaca a pesquisadora.

Diversificação
A B6 foi testada com sucesso nos Cerrados. Apesar de produtiva, como ela não é resistente a cigarrinhas, no ambiente amazônico deverá sofrer mais com essa praga, portanto a recomendação de uso vai abranger os solos de média fertilidade nos cerrados com chuva acima de 800 mm por ano. A recomendação de uso é semelhante à Marandu e BRS Piatã.

Ainda segundo a pesquisadora, a Marandu, variedade lançada em 1984 e mais usada hoje, já teve seu auge e necessita de substituição apesar de ainda responder por cerca de 40% das sementes comercializadas de todas as forrageiras tropicais no Brasil.

“Liberamos a Xaraés e a BRS Piatã e ambas ainda têm muito a contribuir para a pecuária nacional. A nova brizantha entrará no contexto de recuperação de pastagens degradadas via agricultura (programa ABC, por exemplo) por se mostrar uma excelente forrageira para consórcio com milho ou sorgo safrinha”.

Cacilda explica ainda que sob pastejo contínuo em condições de Cerrado ela também mostrou-se “mais interessante na seca do que a própria BRS Piatã que já havia sido liberada com essa característica e sabemos quão crítica é a situação de pastagens no período seco. Três cultivares de B. brizantha ainda é uma diversidade restrita se considerarmos os 100 milhões de hectares de pastagens cultivadas no Brasil. Portanto temos que ter um portfólio de opções forrageiras para os produtores de todo o Brasil, com já e realidade para grandes culturas como milho e soja”.

B6: 2,5 vezes mais ganho cabeça/dia e taxa de lotação dobrada na seca quando comparada à BRS Piatã

Meados de 2013
Segundo a pesquisadora, o que faz o sucesso de uma cultivar é sua adoção em larga escala sob diferentes condições ambientais e isso só se tem após alguns anos após o lançamento.

“O que podemos oferecer é mais uma boa alternativa de diversificação de pastagens para uso por bovinos, mais uma alternativa para sistemas integrados com lavoura, ainda vamos testar na integração com florestas e aguardar a resposta dos produtores para então dar por aceita”.

Fonte: Portal Dia de Campo
16 ago 2012

Ambiência para boa produtividade de leite

Disponibilidade de água, leite e sal mineral é uma das medidas que garantem a qualidade de vida dos animais

Para alcançar altas produtividades na produção intensiva de leite a pasto, existem algumas práticas de manejo que devem ser tomadas. Entre aspectos como adubação correta do pasto e utilização de pastejo rotacionado, o produtor rural deve atentar para a ambiência dos animais, ou seja, aspectos voltados para a qualidade de vida que incluem a disponibilidade de sombra, água e sal mineral. Segundo Marco Aurélio Bergamaschi, médico veterinário e supervisor de manejo animal da Embrapa Pecuária Sudeste, a atual condição climática do país é extremamente favorável para a produção de volumoso de alta qualidade a baixo custo, já que há disponibilidade de água, luz e temperaturas adequadas. Por isso, o produtor deve fazer sempre um manejo adequado, respeitando o ciclo de cada planta e realizando análises de solo antes da adubação.

— Hoje, dentro do custo de produção, o componente “terra” é importante em relação à rentabilidade de toda a atividade. Então, quando conseguimos fazer uma produção maior, considerando uma mesma área, teremos grandes vantagens. Primeiro, pelo aspecto do custo “terra”. Segundo, por trabalhar com o mesmo volume ou superior ao que já vinha sido trabalhado utilizando um espaço menor. Com isso, é possível disponibilizar essa área para outras culturas — afirma o médico veterinário.

De acordo com ele, ainda existe, no Brasil, um sério problema: a falta de alimento para os animais. Então, nas propriedades onde não existe especialização, gestão ou controle, a produtividade pode dobrar em relação ao que se produz durante o inverno.

— Todo processo de adubação deve passar por um rígido controle e gerenciamento. O primeiro passo fundamental é que, durante o inverno, sejam colhidas amostras de solo e mandadas para análise. Após esse processo, é feita a interpretação e a recomendação dos nutrientes necessários. Ainda durante o inverno, é importante que seja feita a aplicação do calcário e, depois do início das chuvas, a suplementação com outros nutrientes — orienta.

Já em relação ao pastejo rotacionado, Bergamaschi diz que o primeiro passo que o produtor precisa tomar é fazer a divisão da área em piquetes, de acordo com cada variedade de pastagem. Após essa divisão, os animais irão pastar em períodos regulares, um piquete após o outro. O número de piquetes depende da variedade implantada.

— Para que os animais permaneçam em condições adequadas e respondam ao manejo, eles precisam ter a chamada ambiência, ou seja, qualidade de vida dentro da propriedade. Uma delas é a sombra, pois é durante o dia que ocorre o processo de ruminação. A mesma questão ocorre com a água. Esses animais, quando produzem entre 40 e 50 litros por dia, necessitam de grande quantidade de água, podendo chegar a 150 litros por dia. Normalmente em sistemas rotacionados, cada área de descanso deve ser composta por áreas de sombra, água e sal mineral — conta.

Além disso, o médico veterinário diz que é necessário realizar um controle leiteiro e, a partir desse controle, fazer o balanceamento da dieta, fornecendo os concentrados necessários para que a dieta seja balanceada. Entre esses concentrados, ele cita o milho, a soja, o caroço e o farelo de algodão, por exemplo. Segundo ele, a alimentação pode representar até 70% dos custos de produção.

Fonte: Portal Dia de Campo
04 jul 2012

Manejo intensivo de pastagem é lucrativo

Técnica exige habilidade para gerenciar o aumento de produtividade, convertendo o pasto em produto animal

Os maiores desafios para os pecuaristas nos dias atuais são aumentar a produtividade pecuária e incluir de forma definitiva a questão ambiental nos sistemas de produção. Surgem então técnicas de manejo que podem unir essas duas vertentes de forma a garantir o lucro econômico aliado à conservação ambiental. Uma delas é a intensificação de pastagens, que exige do produtor habilidade para gerenciar o aumento de produtividade, convertendo o pasto em produto animal.

Segundo Domingos Sávio Queiroz, pesquisador da Epamig, do ponto de vista conceitual, não diferença no manejo intensivo das pastagens em se tratando da produção específica de gado de leite, em relação ao gado de corte.

— Isso porque o ato do pastejo não é diferente entre bovinos de corte e de leite. Pode haver diferenças de exigência nutricional dependendo da categoria animal, mas elas ocorrem dentro de cada tipo de exploração também — diz o pesquisador.

De acordo com ele, a grande diferença pode estar nas oportunidades de manejo do animal. Ele afirma que vacas de leite são manejadas todo dia, para a ordenha, dando oportunidade de troca de piquetes até mais de uma vez por dia, enquanto bovinos de corte não estão submetidos a essa movimentação diária.

— Isso exigirá maior esforço do manejador do que em uma situação de gado de corte em manejo com lotação contínua. As exigências nutricionais podem determinar estratégias de manejo diferenciadas de acordo com a categoria animal. Por exemplo, vacas de leite de alta produção podem ser manejadas para fazer o primeiro pastejo (pastejo de ponta) em um sistema rotacionado, seguido de categorias menos exigentes, como vacas em final de lactação, vacas secas, etc. O mesmo pode ser aplicado em pecuária de corte — diz.

Por outro lado, a realidade das variações de preço do leite durante o ano impõe a necessidade de maior eficiência e de redução dos custos por meio do uso de tecnologias acessíveis à maioria dos produtores de leite. Nesse caso, Queiroz diz que estudos mostram que não há diferença de desempenho animal entre os sistemas de pastejo com lotação contínua ou rotacionada.

O manejo intensivo pode possibilitar a produção de grande quantidade de forragem por área, aliada a bom valor nutricional desta forragem

— Em diversos trabalhos, ora um é melhor, ora outro e na maioria não houve diferença. Obviamente que nesses estudos, o ajuste na taxa de lotação segue rigorosamente a capacidade de suporte do pasto, não permitindo sobra ou falta de pasto. Não é o que se observa na prática da maioria dos produtores. Decorrente de condições climáticas variáveis de precipitação e temperatura, o pasto apresenta crescimento variável entre estações do ano, ou mesmo entre dias ou meses dentro de uma mesma estação. Na maioria das vezes o produtor não ajusta a taxa de lotação do pasto a essas variações. O pastejo rotacionado facilita esse ajuste, proporcionando ao produtor uma ferramenta de gestão que normalmente ele não usa. Nesse aspecto o pastejo rotacionado pode ser vantajoso — explica.

Sabe-se também que o manejo intensivo pode possibilitar a produção de grande quantidade de forragem por área, aliada a bom valor nutricional desta forragem. Quando a questão é a cultivar, o entrevistado diz que, de modo geral todas as gramíneas forrageiras tropicais disponíveis no mercado brasileiro são bem responsivas a intensificação de uso.

— Substituir uma espécie ou cultivar já implantada e em boas condições por outra pode não ser vantajoso. As diferenças entre espécies e cultivares decorrem mais de diferenças de um manejo diferenciado entre elas do que propriamente de seu potencial genético. Por exemplo, um pasto de Brachiaria decumbens colhido jovem é melhor que um pasto de Tanzânia (Panicum maximum) colhido maduro, embora se acredite que as cultivares do gênero Panicum sejam sempre melhores que as de Brachiaria. O que deve ser rigorosamente observado é a adaptação da espécie ao ambiente em que vai ser plantado, tais como fertilidade natural do solo, condições de drenagem, topografia, etc e o seu uso no momento ideal de colheita — orienta.

Para ele, independente do sistema de manejo adotado, o que dever ser observado é o uso do pasto dentro de sua capacidade de recuperação, para evitar sua degradação.

Do ponto de vista conceitual, não diferença no manejo intensivo das pastagens em se tratando da produção específica de gado de leite, em relação ao gado de corte

— A taxa de crescimento do pasto é variável de acordo com as condições ambientais e de meio. Precipitação, temperatura, insolação, fertilização afetam o crescimento do pasto e isso deve ser observado. A taxa de lotação (quantidade de animais por área) deve ser compatível com o crescimento momentâneo do pasto e deve ser ajustada constantemente de acordo com as condições ambientais e de investimento, a fim de alcançar a pressão ótima de pastejo — explica.

Ainda segundo o pesquisador, a taxa de lotação é a grande ferramenta de manejo do pasto. Ele diz que, em condições que limitam a produtividade, como o período seco do ano e os períodos de estresse, por exemplo, durante um veranico, a taxa de lotação animal do pasto deve ser reduzida ou os animais devem receber suplementação volumosa (silagem, cana de açúcar, etc.), de modo a não comprometer a capacidade de recuperação do pasto e a persistência da forrageira.

— Outros elementos que devem ser observados são a pressão de pastejo, que afeta o consumo e a qualidade da forragem consumida, o período de descanso que deve ser ajustado para evitar o acúmulo de colmos e o período de ocupação que afeta a capacidade de rebrotação do pasto — orienta.

As pastagens no Brasil

Queiroz afirma que a utilização intensiva de uma forrageira pode ocorrer com ou sem adubação e que, quando se fala em manejo intensivo no Brasil, está se falando de adubação e divisão dos pastos com utilização de lotação rotacionada.

— Não há duvida que é bom, mas sim quanto a ser barato. A utilização de pastagens no Brasil caracteriza-se na maioria dos casos como extrativista e é esse o valor e a experiência fixados pela maioria dos pecuaristas. A intensificação representa um risco e no caso de pastagens a situação é mais complexa que na agricultura de grãos. O pasto, por se só, não tem valor comercial. Ele precisa ser convertido em carne e/ou leite para ser comercializado. Pasto produzido e não consumido pode significar prejuízo — explica ele.

A taxa de lotação deve ser compatível com o crescimento momentâneo do pasto e deve ser ajustada constantemente de acordo com as condições ambientais e de investimento, a fim de alcançar a pressão ótima de pastejo

Manejo adequado para bons resultados

Para o entrevistado, a gestão da intensificação na produção de pastagens requer dedicação e talvez seja essa a dificuldade na sua ampla disseminação.

— Normalmente os casos de insucesso estão relacionados com a incapacidade de gestão da produção forrageira em casos de adubação. Ademais, na pecuária, o tempo de retorno do capital investido é maior do que na agricultura de grãos, o que pode gerar fluxos de caixa pouco positivos ou até mesmo negativos nos primeiros anos depois da implantação do projeto, sendo incompatível com a realidade financeira da propriedade — afirma.

Diferente dos agricultores, a maioria dos pecuaristas não se apropriou e dominou as tecnologias disponíveis, particularmente em relação ao uso do pasto, como afirma o pesquisador. Mas, de acordo com ele, esse processo será inevitável, uma vez que a área de pasto está diminuindo decorrente da apropriação das áreas de agricultura (soja, cana-de-açúcar, eucalipto, milho, etc), num cenário em que o rebanho continua em crescimento.

Para Queiroz, não há dúvida de que se bem conduzida, a intensificação de pastagens vai impactar a produtividade por hectare. Mas a redução dos custos dependerá da eficiência bioeconômica da intensificação de pastagens, que depende da eficiência de conversão do nutriente do fertilizante em forragem, da eficiência de colheita da forragem produzida e da eficiência de conversão da forragem consumida em produto animal.

— Estas três eficiências, com grande amplitude de variação, definem a eficiência global da intensificação de pastagens na produção animal. A associação do produto animal por quilo de nutriente aplicado com os termos de troca de uma dada região determina a eficiência bioeconômica da adubação de pastagens. Na tomada de decisão, além da expectativa de retorno econômico, a percepção de risco dos agentes econômicos também é importante. A habilidade de o produtor comprar e vender animais e as ilimitadas combinações entre nível, proporção e velocidade de intensificação da exploração das pastagens também afetam o processo decisório — conclui.

Fonte: Portal Dia de Campo
Atendimento Online
Em que podemos ajudar?