O tamanho do seu plantio, não muda o tamanho da nossa dedicação.
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05 jan 2012

FAO prevê redução de preços dos alimentos, mas volatilidade continua

Graziano atribuiu a volatilidade à falta de estabilidade econômica existente em nível mundial e ao fato de que muitos produtores importantes, principalmente de cereais, terem sido atingidos por catástrofes naturais

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, disse nesta terça-feira (3/1) que espera ligeira baixa no preço dos alimentos, embora tenha assinalado que a volatilidade vai permanecer.

Graziano fez as declarações durante seu primeiro comparecimento diante da imprensa desde que assumiu o cargo de diretor-geral da FAO, em substituição ao senegalês Jacques Diouf.

Na percepção do novo diretor, os preços “não devem evoluir como nos últimos dois anos, embora não veja uma redução como em 2009”.

Graziano atribuiu a volatilidade à falta de estabilidade econômica existente em nível mundial e ao fato de que muitos produtores importantes, principalmente de cereais, terem sido atingidos por catástrofes naturais, o que afeta a produção presente e futura.

O responsável da FAO destacou que o “equilíbrio entre consumo e a produção vai seguir apertado” e afirmou que se não conseguir melhorar a produção em 2012, “o mundo estará diante de um nível baixo de reservas”, um fenômeno que é a “base” da especulação. Graziano comentou que não espera “crescimento dramático da fome”, porque esse nível dramático já foi atingido com cerca de 1 bilhão de pessoas famintas no mundo.

Com relação ao ano de 2012 e a crise econômica em nível mundial, e o impacto que uma situação de recessão pode gerar nas populações mais atingidas pela insegurança alimentar, Graziano demonstrou otimismo. Ele ressaltou que não acredita em cortes nas verbas que a FAO receberá de países mais avançados. Para ele, o efeito se dará no maior número de pessoas precisando de ajuda.

Fonte: Globo Rural
05 jan 2012

Perspectiva é de queda para preços da celulose em 2012

As incertezas econômicas globais influenciam as perspectivas para o setor de papel e celulose no próximo ano

Preço da celulose deve cair de US$ 855 por tonelada em 2011 para US$ 775 por tonelada em 2012. Suzano é a preferida do setor.

As incertezas econômicas globais influenciam as perspectivas para o setor de papel e celulose no próximo ano.

O banco suíço UBS afirma estar cauteloso sobre o setor, uma vez que prevê “fraqueza adicional” nos preços mundiais de celulose.

A crise na Europa e nos Estados Unidos aliada ao risco de contágio de outras grandes economias, como a China, lançam dúvidas sobre a demanda final de papel.

“Uma retomada das compras na China seria um grande catalisador”, considera Gail S. Glazerman, analista do UBS para o setor de papel e celulose, em relatório.

Com um viés negativo, o Bradesco BBI estima que os preços da celulose recuarão de US$ 855 por tonelada em 2011 para US$ 775 por tonelada em 2012. Em 2010, as cotações da celulose ficaram em US$ 950 por tonelada.

Vale lembrar que, na crise financeira de 2008, o fechamento de fábricas na Ásia e Europa retirou do mercado cerca de 5 milhões de toneladas de celulose.

De acordo com Raphael Biderman, analista do Bradesco BBI, o real mais fraco é um fator favorável para o setor no Brasil, não somente porque o foco dos produtores locais é a exportação, mas também porque reduz as importações de papel.

No entanto, em conjunto com as perspectivas mais pessimistas para a indústria de papel e celulose do mundo todo, as empresas brasileiras estão revendo os projetos de expansão.

A Suzano adiou a construção da fábrica em Piauí – de 2014 para 2016 -, assim como a planta de Maranhão – do primeiro semestre de 2013 para o segundo semestre do mesmo ano.

A expansão da Veracel, joint venture entre a Fibria e a Stora Enso, tinha a perspectiva de ser realizada entre 2011 e 2012. O projeto não tem mais prazo definido.

Mesmo com esse cenário, “acreditamos que as ações de Suzano e Klabin estão subvalorizadas, enquanto vemos os papéis da Fibria sobrevalorizados”, avalia Biderman, cuja preferência no setor são os papéis da Suzano.

Fonte: Brasil Econômico
03 jan 2012

Um ano novo menos positivo para o campo

Após atingir resultados recordes em alguns de seus principais indicadores em 2011, o agronegócio brasileiro prepara-se para um ano “menos positivo”

Após atingir resultados recordes em alguns de seus principais indicadores em 2011, o agronegócio brasileiro prepara-se para um ano “menos positivo”. As rachaduras na economia do mundo desenvolvido e seus reflexos em países emergentes, na demanda global por alimentos e nos preços das commodities tendem a provocar a desaceleração do ritmo de crescimento do setor no país. Mas, de acordo com analistas, produtores, agroindústrias e governo, nada capaz, no cenário atual, de impedir novos avanços em 2012, ainda que em menor velocidade.

E os números que poderão ser superados são expressivos. A colheita de grãos da safra 2010/11, por exemplo, somou 163 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), quase 10% mais que em 2011/12. Isso apesar de a área plantada ter aumentado “apenas” 5%, para 50 milhões de hectares. O valor bruto da produção (VBP) agropecuária, conforme estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ultrapassou R$ 318 bilhões no ano passado, 8% acima de 2010.

As exportações do agronegócio, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, chegaram a US$ 87,6 bilhões de janeiro a novembro, 24,4% mais que em igual intervalo de 2010 – e cerca de US$ 5 bilhões embarcados em dezembro ainda vão entrar na conta. Nesse contexto, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor, incluindo todos os elos das cadeias produtivas, é calculado pela CNA em R$ 823 bilhões em 2011, um incremento de mais de 6% na comparação com o ano anterior.

Recordes no ano passado, a safra de grãos, o VBP, as exportações e o PIB do setor podem até não crescer em 2012, mas continuarão polpudos. Apesar de a área plantada com grãos ter aumentado em quase 530 mil hectares nesta safra 2011/12, a Conab estima, por enquanto, que a colheita será cerca de 3 milhões de toneladas menor, em virtude de adversidades provocadas pelo fenômeno climático La Niña em lavouras de algumas áreas de produção, notadamente na região Sul.

Atualmente, as maiores ameaças pairam sobre o milho gaúcho, mas ainda é cedo para afirmar que a previsão da Conab será confirmada ou se quem aposta em aumento da produção está certo. Apesar de a queda dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional ter se acentuado em dezembro, a ponto de produtos como algodão, soja e milho terem encerrado o mês passado nos mais baixos patamares de 2011, boa parte da colheita de grãos – que já está começando em Mato Grosso – foi negociada antecipadamente, a cotações melhores.

Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), vinculado à federação da agricultura e pecuária do Estado (Famato), até setembro, quando as cotações começavam a perder sustentação na bolsa de Chicago, 48% da produção de soja de Mato Grosso, o maior produtor do país, já havia sido comercializada. As antecipações perderam força com a queda dos preços, mas em novembro mais da metade da safra estava negociada e “hedgeada”.

As vendas antecipadas de algodão também foram expressivas no país – quase 40% da futura colheita nacional está vendida, conforme a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) -, mas já com valores menores que os de 2010. Depois de atingirem máximas em 140 anos em Nova York entre o fim de 2010 e o início de 2011, os preços do algodão entraram em queda livre. Daí porque nesta cadeia produtiva talvez estejam concentradas as maiores preocupações em relação às próximas temporadas.

De modo geral, o temor maior envolve as exportações. Beneficiado pelo crescimento dos emergentes, principalmente a China, o campo brasileiro passou como um trator sobre as ervas daninhas oriundas da crise deflagrada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, e teve duas temporadas extremamente rentáveis na sequência, ajudado pela pujança de seus embarques.

Com o aprofundamento da crise europeia nos últimos meses e a cambaleante situação americana, contudo, reflexos negativos já são sentidos em emergentes e um crescimento menor da demanda do grupo é dado como certo. Se de fato isso acontecer, os efeitos negativos sobre volumes e preços de venda serão inevitáveis, restando aos exportadores ampliar a comercialização no mercado doméstico. Nesse quadro, as rentabilidades seriam menores, mas há confiança de que o consumo interno seguirá forte.

Em 2011, o mercado doméstico foi fundamental para os resultados de alguns segmentos. Nas carnes, que enfrentaram barreiras na União Europeia e na Rússia, o consumo interno colaborou para manter a pecuária aquecida e ofereceu alternativas aos grandes frigoríficos. Estes, contudo, como ocorreu com agroindústrias de outros ramos, tiveram que conviver com margens apertadas em função da valorização das matérias-primas e esperam que 2012 seja mais remunerador.

Mas os riscos serão maiores. E eles não estão apenas no comércio exterior, cujas sombras há tempos despontam no horizonte. Como já ressalvaram diversos analistas, uma desaceleração maior que a prevista pode quebrar as pernas de produtores e empresas que vêm registrando crescimentos acelerados nos últimos anos, especialmente os que o fizeram por meio de aquisições, de terras ou concorrentes.

Em 2011, mesmo com os recordes observados, o megaprodutor mato-grossense Otaviano Pivetta, por exemplo, teve de unir forças com a Brasil Ecodiesel para dar prosseguimento a sua expansão, já que suas dívidas eram crescentes. A Marfrig, uma das maiores empresas de proteínas animais do país, também viu suas ações na BM&FBovespa caírem em meio ao incremento de custos e à necessidade de capital de giro, ao mesmo tempo em que seu nível de endividamento passou a ser mais questionado por analistas.

É de se esperar problemas em 2012. Produtores de algodão que obtiveram lucro líquido de até R$ 4,5 mil por hectare na safra 2010/11 terão margens menores, assim com as da soja poderão ficar em 2011/12 abaixo de R$ 800 a R$ 1 mil em 2011/12, patamar “normal” no ciclo passado. Mas, capitalizados, têm à disposição ferramentas para proteger financeiramente seus negócios e continuar a avançar. Esperar o pior e tentar buscar crédito com urgência na praça, nesse contexto, não será uma boa saída, tendo em vista a tendência de enxugamento da liquidez no mercado.

“O cenário pode piorar um pouco, mas os produtores estão escaldados. [Ainda assim], os investimentos nas lavouras podem diminuir”, diz a economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria Integrada.

A concorrência por terras agricultáveis tende a ficar mais acirrada a partir das regras de proteção ao ambiente previstas no novo Código Florestal, em fase final de discussões, e da normatização das compras de terras por estrangeiros no país, que não avançou em 2011 e paralisou transações e investimentos. Além disso, empresas de produção agrícola como a SLC e a própria Brasil Ecodiesel – rebatizada como Vanguarda Agro e palco de uma disputa entre seus principais acionistas (Pivetta e Veremonte, do financista espanhol Enrique Bañuelos) – seguem de olho em oportunidades para crescer.

No momento, a maior parte das projeções indica manutenção ou crescimento de até 2% do PIB do agronegócio em 2012. Especificamente na agropecuária, o Banco Central trabalha com uma expectativa de avanço de 2,5% do PIB. Mesmo o segmento sucroalooleiro, que teve muitos problemas no ano passado por conta de uma forte quebra na safra de cana, prevê dias melhores, ainda que insuficientes para turbinar um novo ciclo de expansão.

É preciso aguardar os rumos da crise nos países desenvolvidos e o próximo Plantio no Hemisfério Norte, em meados deste ano, para prever o que poderá acontecer na próxima temporada de grãos (2012/13). Também as ferramentas do governo para apoiar a produção, como crédito rural com juros baixos, subsídios ao escoamento das colheitas e linhas de crédito do BNDES dependerão de um orçamento federal mais apertado. Mas depois dos resultados de 2011, quando até o pagamento de dívidas agrícolas foi antecipado, o setor julga-se preparado para um ano “menos positivo”.

Fonte: Valor On Line/CNA
02 jan 2012

Perspectivas Agrícolas 2012

A economia global está em meio a uma recessão. Para realizar uma análise da agropecuária brasileira em perspectiva para 2012 precisamos levar em conta o panorama externo

A volatilidade do mercado de ações internacional influencia diretamente os preços das commodities agrícolas no pregão futuro. Se os Estados Unidos conseguirem dizer como cortarão US$ 1,2 trilhão dos gastos públicos em 10 anos e a União Europeia se estabilizar, o caminho estará livre para o crescimento médio de 2% a 5% no consumo de alimentos no mundo. Mas se países importantes do bloco europeu sucumbirem com os EUA titubeando haverá um  impacto geral nos preços das commodities, fazendo com que os fundos investidores migrem para portos mais seguros (ouro, moedas, etc).

O primeiro semestre de 2012 no Brasil será reflexo direto dos bons ventos do terceiro trimestre de 2011. As exportações brasileiras bateram recordes nos principais produtos neste ano que finda. Logo, o mercado externo seguirá essa tendência até abril/maio/2012, podendo continuar na mesma toada dependendo do que ocorrer no mercado externo.

Bolsas em  alta, dólar em queda. Na minha ótica o dólar pode operar entre estável, leve alta a leve queda, estabilizando entre R$ 1,80 a R$ 1,95, variando neste range (parece que estou atirando pra todo lado, mas a conjuntura externa está desse jeito, louca). O primeiro trimestre do próximo ano vai determinar se os preços ficarão nesses patamares. Quanto pior o cenário externo mais alta a moeda e o inverso também é recíproco. A Bolsa de Valores brasileira será um bom investimento para 2012, pós um ano de caos.

O petróleo segue  a mesma regra do dólar e do euro. O Crude Oil em Nova York teve um ano voltátil com um período de alta contínua entre janeiro a maio, depois caiu até outubro e voltou a subir até dezembro, chegando aos US$ 99,00/100,00 o barril. Tão volátil quanto o dólar, o petróleo reflete os conflitos em países produtores no oriente médio.

Aliás, paralelamente ao caos financeiro europeu, as guerras civis, o terrorismo e o clamor pela democracia nos países árabes são fatores que influenciam o preço do petróleo, e,  por consequência as commodities. A saída dos EUA do Iraque pode ser um fator importante nesse tabuleiro externo.

Agronegócio brasileiro segue crescendo

O governo brasileiro tenta manter a meta de inflação em  4,5% ao ano com variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Para equilibrar essa  meta, a  taxa de juros Selic que está em 11,5% anuais pode variar. Para o primeiro trimestre de 2012, a Selic pode ficar em 10% a.a., a depender do consumo doméstico, se tiver freado, a Selic pode atingir 9% até setembro/outubro. Conforme o que ocorrer no mundo e internamente a taxa pode tanto subir como se estabilizar.

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro deve crescer acima de 6,12% em 2011,  atingindo R$ 822,9 bilhões, superando os 3,1% projetados para a economia brasileira, de acordo com dados da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Acredito que devamos atingir algo em torno de 7% a 8,5% em 2012, principalmente com a expectativa da expansão das exportações do etanol aos Estados Unidos que vai ampliar investimentos no setor sucroalcooleiro no Brasil.

Para a agroindústria brasileira, uma Selic baixa reflete em mais investimento, portanto, veremos mais crescimento pontuais e de maneira geral. O governo poderia mexer nos impostos para melhorar emprego e renda no setor, mas com isso é utopia, a agroindústria continuará crescendo mirando o consumo interno e externo.

As grandes corporações continuarão crescendo. BRF, Marfrig, JBS, Minerva, Bunge, Monsanto, entre muitas outras que já definiram suas estratégias e a julgar dos recentes resultados, 2012 (até o final poderá ser positivo, exceto se houver algum tropeço individual).

Fonte: www.agroblogbrasil.com.br
30 dez 2011

FAO deve ser efetiva e menos burocrática, afirma Graziano

Ajudaria muito ter uma regulação para impedir que os alimentos sejam tratados da mesma maneira que os produtos financeiros

Pela primeira vez na história “temos a oportunidade de erradicar a fome no mundo”, declarou José Graziano da Silva, que está em Roma e assume domingo a direção-geral da Organização da Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Ex-assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criador do programa Fome Zero, Graziano esteve à frente do escritório da FAO na América Latina desde 2006. Agora, a partir de 1º de janeiro, ele substituirá o senegalês Jacques Diouf na direção-geral do órgão.

“Minha escolha criou muitas expectativas, porém, as circunstâncias atuais são bastante desfavoráveis. As mudanças de governos e a crise econômica podem atrasar muitas medidas que pensava adotar com mais rapidez”, advertiu Graziano.

Por isso, logo após assumir a direção geral, Graziano apresentará ao conselho da FAO uma lista dos países pobres que estão enfrentando o problema da fome. A ideia é “prestar toda a assistência técnica e financeira para atender estes países”.

O principal obstáculo para acabar com a fome no mundo não é de caráter burocrático. “A fome segue vinculada à guerra. Os países onde proporcionalmente temos maior número de famintos são os que estão em conflito, como a Somália, por exemplo”, lembrou o futuro diretor geral da FAO. “Sem dúvida, a situação na Somália é a nossa principal preocupação e, para poder dar respostas para esta questão, vamos coordenar melhor a atuação da FAO, do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo de Desenvolvimento Agrícola”, garantiu Graziano.

Outra intenção da FAO é frear a volatilidade nos preços dos alimentos, uma situação que Graziano acredita que pode melhorar com a presidência mexicana no G20. “Ajudaria muito ter uma regulação para impedir que os alimentos sejam tratados da mesma maneira que os produtos financeiros”, afirmou.

A produção de biocombustíveis, as subvenções agrícolas e as barreiras comerciais são temas de natureza eminentemente política e econômica, mas que acabam afetando à segurança alimentar. Mas Graziano reconhece que existem limitações. “A FAO faz recomendações, mas são os governos que possuem autonomia política e administrativa para implementar tais ações”, explicou.

Sem continuísmo

Eleito no último mês de junho com 92 votos, quatro a mais que o ex-ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, Graziano se propôs a “construir uma ponte” entre os países ricos e pobres, “já que a FAO não pode estar mais dividida no combate contra a fome”.

Embora alguns analistas afirmem que a escolha é um triunfo do continuísmo, em uma organização que foi dirigida nos últimos 35 anos por representantes de economias em desenvolvimento, Graziano prefere considerar que se trata de um reconhecimento à contribuição dos países latino-americanos em busca da segurança alimentar mundial.

“Atualmente, na América Latina, temos 120 milhões de pessoas muito pobres que estão sendo assistidas para que possam viver com mais dignidade”, Lembrou Graziano. “Aprendemos com a crise e contamos com uma melhor capacidade para enfrentar os problemas”.

A atual crise econômica, que afeta os países desenvolvidos, pode fazer com que as contribuições que os países europeus e os Estados Unidos entregam para o funcionamento da FAO sejam reduzidas. “Sem dúvida que vai haver cortes. Já estamos preparados para isso”, garantiu Graziano. “A estratégia será muito simples: usar melhor o orçamento e aumentar a cooperação técnica entre os países do sul”, afirmou.

Para que os governos tomem consciência da necessidade de impulsionar a segurança alimentar, Graziano pensa em usar a mesma fórmula aplicada na América Latina: promover leis de segurança alimentar, encorajar a participação da sociedade civil e implementar programas de alimentação escolar.

O final do mandato de Graziano, em 2015, coincidirá com o termino do prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, elaborados pela FAO, sendo que o primeiro é a erradicação da pobreza extrema e da fome. “Podemos dar um bom exemplo. Os países em desenvolvimento podem estar sendo melhores representados”, assegurou Graziano, que sonha em tornar a FAO uma organização “menos burocrática e mais efetiva”.

Fonte: www.cna.org.br