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18 dez 2014

Plantar florestas no Cerrado pode ser tão lucrativo quanto a agricultura convencional

O Projeto Biomas, no Componente Cerrado, apoia dois subprojetos que buscam resultados para a demanda do mercado madeireiro

cedro-cerrado

Especialistas anteveem problemas de abastecimento de madeira nobre a médio e longo prazo devido à baixa velocidade dos empreendimentos de reflorestamento para atender a demanda da indústria moveleira. Em contrapartida, o Projeto Biomas, no Componente Cerrado, apoia dois subprojetos que buscam resultados para a demanda do mercado madeireiro. São eles: “Cultivo de palmeiras guariroba e pupunha, adubadas com e sem déficit hídrico na região do Cerrado” e “Resposta da cultura do mogno africano consorciado com palmeiras guariroba, açaí e pupunha, com e sem déficit hídrico na região do Cerrado”.

Os dois subprojetos foram implantados na área experimental do Projeto Biomas no Cerrado, na Fazenda Entre Rios, próxima a Brasília. O principal objetivo dos estudos é mostrar ao produtor rural que plantar florestas pode ser tão ou mais lucrativo que a agricultura convencional. Por isso, foram escolhidas áreas que poderiam estar plantadas com culturas como soja ou milho, por exemplo.

A proposta é baseada na ideia de que o produtor busca ter renda durante todo o ano com o plantio das espécies anuais, sendo que o plantio de espécies madeireiras, como o mogno africano, só vai trazer resultados (lucro) em aproximadamente 20 anos. Dessa forma, foi implantado um consórcio de mogno com a guariroba, palmeira nativa do Cerrado que pode ser colhida em quatro anos. “É importante utilizar cultivos intercalares com produção mais rápida para que o produtor já possa ter renda durante esse período”, explica José Alves Jr., professor da Universidade Federal do Goiás (UFG) e líder dos subprojetos.

Professor José Alves Jr. – líder dos subprojetos
Professor José Alves Jr. – líder dos subprojetos

Segundo Alves Jr., o consórcio de madeira com outras espécies tem levado a grande expectativa de lucratividade, possivelmente de até seis vezes superior à da agricultura convencional no mesmo período. “É uma pesquisa de longo prazo, em que apesar de não termos como prever o valor da madeira daqui a 20 anos, trabalhamos com estimativas que até então são extremamente promissoras”, aponta o professor da UFG.

O investimento nesse tipo de implantação é relativamente baixo. O único componente que pode ter custo um pouco elevado é a implantação (mudas e plantio) e a manutenção ao longo dos quatro primeiros anos. Segundo Alves Jr., para cada hectare seriam gastas 400 mudas de mogno, a um custo médio de R$ 5 cada, representando um investimento em torno de R$ 2 mil/ha, mais os custos para plantio e limpeza da área e controle de invasoras e formigas.

No futuro, o produtor pode vender a madeira de várias formas, sem ter que retirar todas as árvores ao mesmo tempo. Por exemplo uma sugestão seria, das 400 plantas por há (espaçadas 5 x 5 m), colheita de 200 árvores/ha com 10 anos, 100 árvores com 15 anos e as últimas 100 plantas/ha com 20 anos, sendo estas últimas com maior diâmetro e altura de planta, ou seja, maior produtividade e maior valor agregado.

O projeto foi implantado há cerca de dois anos, e tem sido observado um ótimo desenvolvimento da Guariroba, enquanto o açaí, uma espécie de palmeira exótica de ambiente úmido e de origem amazônica, não resistiu e morreu por falta de água (estresse hídrico). Por outro lado, o palmito pupunha, também de origem amazônica, apresentava bom desenvolvimento e adaptação ao Cerrado, mas sofreu um ataque severo de animais silvestres e também não resistiu. A pupunha consorciada com mogno foi então substituída pelo cafeeiro, que apesar de ter sido bastante afetado pelo ataque de formigas e pela falta de água no período seco, ainda é alvo de expectativas positivas. “Insistiremos com esse consórcio fazendo replantios das mudas atacadas agora no período das chuvas de 2014”, conclui Alves Jr.

Fonte: Canal do Produtor

30 abr 2014

Cultivo do palmito pupunha melhora a renda de pequenos produtores de SP

Cultura depende de irrigação, adubação e condições climáticas favoráveis. Palmito industrializado rende um lucro a mais para o produtor

O palmito pupunha ganha cada vez mais espaço nas terras do oeste de São Paulo. A cultura pode ser um bom negócio para as pequenas propriedades e o resultado tem agradado os agricultores.

A pupunha ocupa uma área pequena em um lote no assentamento Polônia, em Mirante do Paranapanema. Mesmo sabendo que a espécie não é típica desta região do país, o agricultor José Tenório fez o plantio há cerca de três anos, apostando na cultura, e hoje tem 500 pés.

A pupunha já está no ponto de corte. Para retirar o palmito, o caule da palmeira é cortado bem próximo do chão e, aos poucos, Tenório vai tirando as cascas.

Embora seja uma espécie típica da Amazônia, produtores da região de Presidente Prudente se arriscam há muito tempo. Em apenas uma propriedade em Presidente Venceslau são quase 15 anos produzindo palmito.

Patrick Moreira agora está à frente da produção começada pelo pai. São quase 15 mil pés em pouco menos de um hectare de terra.

A experiência mostrou a ele que o sucesso da cultura depende de irrigação por, pelo menos, uma hora por dia, adubação, que pode ser feita inclusive com as folhas da pupunheira, e condições climáticas favoráveis. O palmito já industrializado rende um lucro a mais para o produtor. “A gente tem uma venda maior no final do ano, época de Dia das Mães, férias, nestes períodos vendemos bastante e temos que ter o produto disponível”, diz.

Os agricultores do assentamento em Mirante do Paranapanema, também já estão se organizando para beneficiar o palmito pupunha.

Fonte: Globo Rural
14 mar 2014

Palmito de pupunha é renda garantida

Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza
Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza

A pupunha é uma palmeira muito utilizada na região amazônica e que, devido ao seu grande potencial, vem sendo difundida em vários estados do Brasil (Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Santa Catarina, entre outros).

Nos últimos anos, a cultura da pupunha tem crescido a uma taxa que gira em torno de 25% ao ano no Brasil, cuja área plantada chega a 15 mil hectares. Para suprir a demanda atual, seria necessário o plantio de aproximadamente 130 mil hectares de pupunha.

Vantagens do palmito

Segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), essa espécie apresenta as seguintes vantagens em relação às duas espécies exploradas comercialmente, juçara (Euterpe edulis) e açaí (Euterpe oleraceae): os cortes podem ser realizados a partir de 15 a 36 meses após o plantio no campo; comporta-se bem em solos de baixa fertilidade; apresenta de dois a 15 perfilhos por planta, bom rendimento e não escurece após o corte.

Além de fornecer palmito, expõe Arthur Netto, consultor da InvestAgro Reflorestamento, essa palmeira disponibiliza frutos que, quando cozidos em água e temperados com sal, podem servir como iguaria. “A pupunha ocupa 18% do mercado de palmito”, informa.

Como cultivar o palmito pupunha

A pupunha é uma espécie que prefere solos arenosos e friáveis que apresentem boa drenagem e pleno sol. “Não aconselhamos o plantio em áreas onde há incidências de lebrões, capivaras ou outro tipo de roedor que possa prejudicar a cultura”, alerta Arthur Netto.

Como para qualquer outra cultura, ele avisa que é necessário o preparo adequado da área de plantio arando e gradeando, além da correção de acordo com a análise de solo. A pupunha exige solos de fertilidade média a alta, pH próximo ao neutro e textura média ou leve.

O espaçamento usado na cultura para a produção de palmito deve ser de 2 x 1 m, obtendo-se uma população de cinco mil mudas por hectare. Ao preparar as covas, o consultor recomenda o uso de esterco de curral ou de frango e o adubo de plantas.

“O controle das ervas daninhas é fundamental, pois a pupunha não suporta competição; no entanto, não é recomendada a capina de coroamento, pelo fato de o sistema radicular ser superficial. Opcionalmente, essa operação pode ser feita com os herbicidas ou a roçagem com máquinas, sem a necessidade de revolver o solo”, ensina.

A primeira colheita para comercialização do palmito ocorrerá após 18 meses do plantio. O corte deve ser realizado quando a planta estiver entre 1,60 ,e 1,80 m, valor medido da inserção da folha mais nova até o solo. É importante evitar o corte na época seca, pois compromete o rendimento do palmito e a sua maciez.

O corte das plantas deve ser realizado quando elas atingirem um diâmetro perto do solo, entre nove e 15 cm, na idade de 18 meses após o plantio.

Critérios para máximas produtividades

O cultivo de pupunha é como o de qualquer outra cultura. Arthur Netto explica é preciso preparar adequadamente o solo, realizar o plantio no período das chuvas e o controle das ervas daninhas, além de adubar, sempre que necessário, para que a planta receba os nutrientes indispensáveis para o seu desenvolvimento.

Pesquisas

Pesquisas avançam para indicações de múltiplo uso da pupunheira: componente na fabricação de ração, frutos para consumo humano e fabricação de farinhas para panificação e biodiesel.

Arthur Netto esclarece que o palmito pupunha tem excelente aceitação de mercado, por ser muito macio e saboroso. Segundo a pesquisa da consultoria Nielsen, encomendada pela Inaceres, empresa líder no setor, a participação do palmito pupunha (cultivado) no mercado nacional pulou de 19,5%, em 2009, para 24% em 2010, com tendência alta em 2011.

Ao mesmo tempo, o palmito de extrativismo recuou de 80% para 76% em participação de mercado. Apesar da grande distância, essa é uma sinalização importante que segue uma tendência já consolidada nos demais países produtores.

Mundialmente, o mercado para palmitos movimenta R$ 350 milhões. O Brasil representa a maior parte disso (74,3%), conforme a pesquisa, com estimadas 45 mil toneladas de palmito por ano. Se a aceitação do produto já era grande, a renda mais alta do brasileiro fez o apetite ficar ainda maior.

Em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, por exemplo, a pesquisa apontou um crescimento de vendas de 481% do palmito cultivado entre 2009 e 2010, enquanto o segmento como um todo cresceu 42%. A região Sul, maior compradora do palmito extrativo juçara, também está mudando seu hábito de consumo: a demanda por palmitos de extrativismo recuou 5,4% no mesmo período, contra uma alta de 78% do cultivado.

Valor agregado

Existe um alto valor agregado na venda do palmito pupunha. “O tolete do palmito é a parte mais nobre e custa, em média, R$ 22,00/kg quando comercializado na forma minimamente processada; picado, R$ 15,00/kg; e rodela, R$ 17,00/kg – estes são os tipos mais comercializados”, define Arthur Netto.

Ainda segundo o consultor, o custo de implantação é elevado (cerca de R$ 8.500,00 por hectare), sendo a primeira colheita realizada a partir de 18 meses, considerando três anos para regularizar a constância na colheita.

Vale a pena?

De boa aceitação no mercado, o palmito pupunha é uma alternativa ecológica ao palmito tradicional, cuja extração na natureza quase sempre ocorre de forma ilegal. O cultivo do palmito pupunha tem vantagens em relação ao do palmito tradicional. Como a bananeira, a palmeira pupunha rebrota, o que permite o corte continuado para a produção de palmito, sem gerar custos de replantio a cada corte.
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Fonte: Revista Campo e Negócios HF
16 jan 2014

Palmito de pupunha agroecológico

Processamento mínimo do palmito de pupunha agroecológico

palmito-pupunhaA pupunha é uma alternativa para a produção de palmito e tem a vantagem de ser explorada em plantios organizados. O palmito é basicamente uma iguaria do Brasil, que responde por cerca de 85% da produção mundial, não dominando, contudo, as exportações. A principal causa da perda desta liderança é a falta de qualidade do produto brasileiro. As exportações já foram da ordem de US$ 40 milhões, situando-se hoje aproximadamente em US$ 7 a US$ 8 milhões anuais.

O tolete do palmito é a parte mais nobre da palmeira e custa R$ 22,00/Kg quando comercializado na forma minimamente processada. O tempo de vida útil deste produto é muito curto, com perdas consideráveis nos locais de comercialização. Por isso, o palmito de pupunha minimamente processado não pode ser vendido para regiões distantes dos locais de produção, porque, em geral, as embalagens de comercialização são inadequadas e incipientes, aumentando ainda mais a perda do produto.

Mas a pesquisa definiu o fluxograma de processamento mínimo com o uso de solução filmogênica para revestimento comestível do tolete de palmito de pupunha, desenvolveu embalagem específica para comercialização do palmito minimamente processado e aumentou a sua vida útil de 5 para 22 dias. Com isso, o produto pode ser comercializado em locais distantes da produção agroindustrial e até mesmo exportado por via aérea, uma vez que o valor agregado deste produto é alto. O uso desta tecnologia propicia um produto de qualidade com alto valor comercial.

Fonte: Embrapa
02 ago 2013

Pupunha – plantio ecológico e rentável

A palmeira pupunha é rústica e rebrota depois de cortada, o que a torna uma alternativa rentável ao nativo da juçara

A pupunheira é cultivada principalmente em São Paulo. Foto: Ernesto de Souza
A pupunheira é cultivada principalmente em São Paulo. Foto: Ernesto de Souza

O cultivo da palmeira pupunha para a produção de palmito vem despertando cada vez mais o interesse de grandes e pequenos agricultores. De boa aceitação no mercado, é uma alternativa ecológica ao palmito tradicional, cuja extração na natureza quase sempre ocorre de forma ilegal. Produto natural, saboroso e saudável, o palmito pupunha pode ser consumido in natura na salada ou no carpaccio e também assado ou cozido.

A pupunheira (Bactris gasipaes Kunth) é nativa da América Latina. No Brasil, é cultivada principalmente em São Paulo, mas encontra-se também em outros estados, com destaque para Espírito Santo, Rondônia, Pará e Bahia. Existe uma grande variedade de espécies e tipos, mas a sem espinhos é a preferida pelos produtores. Em relação ao palmito comum (juçara ou açaí), o pupunha é mais doce e mais amarelado, mas igualmente macio.

O cultivo do palmito pupunha tem vantagens em relação ao do palmito tradicional. Como a bananeira, a palmeira pupunha rebrota, o que permite o corte continuado para a produção de palmito. Mais rústica, pode ser cultivada a pleno sol. O tempo de colheita também é mais curto: de 18 a 24 meses a partir do plantio. Além disso, ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece, o que permite outras formas de consumo além da tradicional, em salmoura acidificada. Isso faz com que tenha um apelo muito grande para o pequeno produtor, que pode comercializar o palmito sem recorrer ao processamento industrial.

Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza
Vantagem: ao contrário do palmito comum, o pupunha não escurece. Foto: Ernesto de Souza

Não é necessário ter uma área grande para cultivar a palmeira. A produção pode ser planejada de acordo com as possibilidades e necessidades do produtor. Porém, se a ideia for produzir para a indústria de processamento, recomenda-se que a área mínima seja de 100 hectares. Nesse caso, o investimento inicial varia de 2.500 reais (sem irrigação) a cinco mil reais (com irrigação) por hectare.

Para pequenas áreas, o preço é bem menor, principalmente se for utilizada a adubação orgânica. As sementes da palmeira sem espinhos custam em torno de cinco centavos cada. A muda formada pelo agricultor custa de 15 a 30 centavos. Se for comprada de viveiristas, o preço varia entre 60 centavos e 1,50 real. É recomendável que o produtor faça as mudas, para que ele tenha um controle maior do material. Quando se adquire mudas prontas, existe o risco de adquirir também os problemas do solo onde ela foi formada, como fungos e outras doenças.

Corte

A palmeira pupunha tem um melhor desenvolvimento em regiões de clima quente e úmido, com temperatura média anual de 22 graus centígrados. A planta jovem (até 50 centímetros) não tolera geadas. Os melhores solos para o cultivo são os de textura média a arenosa, com boa drenagem. Áreas planas ou levemente onduladas são as indicadas, pois facilitam o plantio, a condução, a colheita e o transporte do palmito. A planta é bastante exigente em relação à água, por isso a irrigação é necessária quando o cultivo é feito em regiões mais secas.

Os solos mais adequados são os de textura média a arenosa, com boa drenagem. O corte do palmito pode ser feito durante o ano todo. Foto: Ernesto de Souza
Os solos mais adequados são os de textura média a arenosa, com boa drenagem. O corte do palmito pode ser feito durante o ano todo. Foto: Ernesto de Souza

Aos 18 meses o palmito terá entre 150 a 300 gramas de peso. Aos três anos, até 500 gramas. O corte do palmito pode ser feito durante o ano todo, mas deve-se evitá-lo nas épocas mais secas, quando o seu peso é menor. É possível colher dois palmitos por planta em um ano, porém é aconselhável realizar apenas uma colheita anual. O palmito pupunha deve ser consumido ou processado entre quatro e dez dias após a colheita.

Mais informações

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Fonte: Globo Rural

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