A pesquisa da APTA comprovou que o uso do fosfito de potássio na cultura reduz em até 30% a incidência da doença.

pupunheiraA podridão da base do estipe da pupunheira é causada por dois fungos de solo e uma bactéria, chamados Fusarium spp,Phytophthora sp e Erwinia sp, respectivamente. A doença incide em plantas jovens e adultas de pupunheira e é frequente em viveiros e em plantios com até um ano de idade. “São sintomas característicos da doença as murchas e amarelecimento da folha bandeira, seguido do amarelecimento e a seca das demais folhas, provocando a morte da planta”, afirma Eduardo Jun Fuzitani, pesquisador da APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Segundo Fuzitani, existem áreas com mais de 50% de morte das touceiras de pupunha, causadas pela doença. “Em viveiros da Bahia mais de 70% das plantas foram infectadas e mortas. As plantas doentes encontravam-se distribuídas esparsamente nos plantios. A podridão é ainda comum na Costa Rica, principalmente em áreas mal drenadas”, explica o pesquisador da APTA.
A pesquisa da APTA testou como modo preventivo a aplicação do fosfito de potássio, um fertilizante comercializado na formulação líquida e que atua como fonte nutricional para as plantas. Originalmente, o fosfito é aplicado no controle de doenças do abacaxi e dos citros. “Devido à falta de informação sobre o controle da podridão da base do estipe, desconhecia-se o efeito da aplicação dos fosfitos nesse patosistema pupunha x P. palmivora. O nosso trabalho teve o objetivo de avaliar a eficiência desse fertilizante no controle das doenças nas mudas”, afirma Fuzitani.
O resultado é a redução de 30% na severidade da doença na planta. Isso porque os fosfitos agem inibindo o crescimento micelial e a esporulação de patógenos. “Eles induzem a planta hospedeira a produzir fitoalexinas, que agem no processo de defesa da planta contra a invasão do patógeno”, explica Fuzitani. Além disso, com a aplicação do fosfito foi retardado o desenvolvimento da doença. “Esse tempo a mais vai depender muito do manejo que o produtor terá após a utilização do produto, como a realização de drenagens, adubação equilibrada, análise de solo e dispensa de herbicidas”, afirma o pesquisador.
Por ser considerado um nutriente, o fosfito tem ainda função de fornecer fósforo e potássio à planta. Ainda não existem variedades de palmito pupunha resistentes a doenças, mas a APTA estuda o desenvolvimento de novos materiais, por meio do melhoramento genético. As pesquisas, porém, devem levar alguns anos.
Palmito pupunha
O palmito pupunha é uma excelente alternativa para os produtores rurais da região do Vale do Ribeira e tem crescido em outras regiões do Estado e também na Bahia. Estima-se que existam quatro mil hectares cultivados com palmito pupunha no Vale do Ribeira e a produção está em franca expansão.
O histórico de produção de palmito pupunha tem suas raízes na região, com a utilização da palmeira juçara, porém, o corte indiscriminado desta planta nativa levou à quase extinção da espécie, fazendo com que o palmito migrasse para a região Norte do Brasil, também sustentada na extração predatória.
Na década de 1990, começou a surgir no mercado a produção de palmito a partir de plantas cultivadas, em especial a pupunheira, sendo a principal palmeira cultivada atualmente. “No atual panorama de produção de palmito, o Vale do Ribeira volta a ter expressão, exatamente com o crescimento da participação das palmeiras da extração ilegal de palmito, além da geração de empregos na região”, explica o pesquisador da APTA, Erval Rafael Damatto Junior.
Os aspectos que se destacam para o bom desenvolvimento da cultura na região são o clima propício, a quantidade adequada de chuvas e a existência de solos já abertos, ociosos ou com culturas de áreas degradadas, não havendo a necessidade de desmatamento para o plantio, com excelente aptidão para o desenvolvimento da cultura. “Além disso, a região do Vale do Ribeira tem localização geográfica privilegiada, entre os dois maiores centros consumidores de palmito em conserva, São Paulo e Curitiba”, afirma o pesquisador da APTA.
Segundo Damatto Junior, como a região tem tradição de produção de palmito em conserva, já existem indústrias tradicionais no ramo em processo de expansão. Além disso, o palmito e seus frutos são ricos em carboidratos, proteínas, cálcio, fósforo, ferro e vitaminas A, B1 e C. O fruto da pupunha é bastante consumido na região amazônica, utilizado como farinha, bolos, biscoitos e pães.
Fonte: APTA