mdf-bagaco-canaOs principais responsáveis pela evolução tecnológica das indústrias de painéis particulados são os setores de construção civil e de mobiliário, uma vez que estes o utilizam como matéria prima básica. A principio, os painéis podem ser produzidos a partir de qualquer material lignocelulósico que lhe propicie alta resistência mecânica e peso especifico pré-estabelecido.

No Brasil, as indústrias voltadas para a área de painéis consomem um volume significativo de madeiras provenientes de florestas plantadas, principalmente do gênero pinus e eucalipto. No entanto, devido à demanda crescente por madeira, é necessário procurar outras opções de matéria-prima de rápido crescimento que contribuam de forma qualitativa e quantitativa para suprir essa necessidade.

Uma opção viável é o aproveitamento de resíduos gerados pela agroindústria brasileira, já que esta apresenta vários tipos de resíduos lignocelulósicos com potencial de utilização. Dentre os resíduos agrícolas, o bagaço de cana é o que apresenta o maior destaque, visto que o Brasil é líder mundial em produção de cana de açúcar, apresentando uma produção em 2011 de aproximadamente 1,8 bilhões de toneladas, o que representa a geração de cerca de 500 milhões de toneladas de bagaço de cana, pois, cada tonelada processada de cana-de-açúcar gera um total de 280 kg de resíduo.

Em questão de produção de painéis aglomerados, tal resíduo, além de sofrer uma agregação de valor, poderá atender à crescente demanda da indústria de painéis de madeira, além de possibilitar sua expansão, diminuir a utilização de madeira e consequentemente a pressão sobre as florestas, e ainda reduzir os custos de produção dos painéis de madeira, tornando-os mais competitivos no mercado.

Em estudo conduzido por Rafael Farinassi Mendes e colaboradores, objetivou-se analisar o efeito da porcentagem de associação de bagaço de cana com a madeira de eucalipto em diferentes tipos e teores de adesivos na produção de painéis aglomerados. Os painéis foram produzidos na Unidade Experimental em Painéis de Madeira (UEPAM), da Universidade Federal de Lavras.

Foram analisadas propriedades físicas (Densidade, absorção de água após duas e vinte e quatro horas de imersão e inchamento em espessura após duas e vinte e quatro horas de imersão) e as propriedades mecânicas (Módulo de elasticidade e Módulo de ruptura à flexão estática, ligação interna e compressão paralela).

O adesivo uréia-formaldeído mostrou-se estatisticamente igual ou melhor que o adesivo fenol-formaldeído em quase todas as propriedades avaliadas. O tratamento que obteve melhores resultados foi produzido com 12% de adesivo uréia-formaldeído e constituídos com 75% de bagaço de cana e 25% de madeira de eucalipto, atendendo aos valores estipulados pela norma de comercialização CS 236-66. Apesar disso, os painéis produzidos com 6% de adesivo uréia-formaldeído e com 75% de bagaço de cana e 25% de madeira de eucalipto também atenderam a norma de comercialização, sendo a alternativa economicamente mais viável.

Rafael Farinassi Mendes – Doutorando em Ciência e Tecnologia da Madeira – UFLA
Lourival Marin Mendes – Professor adjunto do Departamento de Ciências Florestais – UFLA
Camila Lais Farrapo – Engenheira Florestal
Adriele Felix Lima – Graduanda em Engenharia Florestal – UFLA e Bolsista do Polo de Excelência em Florestas/ SECTES/FAPEMIG

Fonte: CI Florestas